243. Imprevisto

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As agruras do jornalismo impresso

Há fatos cujo controle está acima de qualquer vontade. Basta ter em mente que somos 7 bilhões de cérebros e, tecnicamente, cada um tem seu livre-arbítrio. Nesse ambiente de milhões — limitando-nos aos indivíduos de uma pequena circunscrição territorial — de possibilidades, qualquer tentativa de previsão, por mais científica que seja, é pífia, senão temerária.

Mesmo em assuntos aparentemente certos. Por exemplo, escrevi um texto sobre um projeto polêmico de um vereador de Araraquara com a certeza de suscitar uma discussão — não polêmica, que é coisa para amadores, mas uma discussão sobre a validade da proposta. Tampouco sem agredir a imagem pública do legislador.

Aconteceu o inusitado dentro de um quadro previsível. No mesmo dia de publicação do artigo no jornal impresso — logo, elaborado e limado um dia antes — o vereador apontado no artigo teve sua casa invadida por bandidos logo pela manhã. Inusitado porque ninguém espera ter a casa invadida; previsível porque a onda desse tipo de ação criminosa está em alta em Araraquara, sendo a invasão à casa do político o 16º caso neste ano.

Frente a todo rebuliço que o caso trouxe, óbvio e compreensível que o artigo criticando o projeto fosse posto fora de combate. Talvez alguma pessoa de mais idade o tenha lido e até compreendido, mas certamente teve a visibilidade prejudicada, ou talvez até mesmo uma repercussão negativa para seu autor — eu —, já que os leitores tendem a comparar informações simultâneas com os mesmos protagonistas.

Ponto negativo para mim.