382. O Estado petista

A última nesga de decência morre no Brasil. Com o voto do Ministro Celso de Mello favorável aos ditos “embargos infringentes”, a sensação de impunidade torna-se quase material. Não é culpa exatamente do ministro, que, ao que parece, atém-se à legalidade estrita. O vício mora entre os espaços tipográficos das palavras das leis; o sistema já vem com brechas comodamente instaladas, que são aproveitadas até o último centímetro.

O resultado desse julgamento patético protagonizado pelo STF é a vitória quase definitiva do PT. Não obstante todos crimes cometidos contra o Estado, contra a população, contra a República, contra o próprio sistema democrático, o partido das histórias mal contadas conseguiu deturpar a verdade mais lúcida e vai sair como vítima. Seus ataques à imprensa e à oposição serão ainda mais virulentos, pois agora serão mártires “perseguidos pela justiça burguesa”.

Seu plano de instalação no poder continuará com mais força: a supressão do Senado — aventada por vários de seus membros —, o desarmamento da população, o Estado do denuncismo, a criminalização do empregador como vilão da relação trabalhista, o uso dos movimentos sociais como milícias. Tudo guiado pelo seu líder supremo, Lula, um Lech Walesa às avessas que sempre deve ter sonhado com um regime de partido único. A democracia só convém para chegar ao poder, depois, é uma cerimônia ridícula.

É a estratégia não só do PT, mas da esquerda em geral: comer pelas bordas até, finalmente, dominar todo o corpo político. Afinal, as revoluções, como as de 1917, além de caras, têm o ônus da convulsão social que costuma vir logo após. Domar as instituições, ridicularizá-las até que a culpa seja atribuída a elas e não a quem está no poder; instalar um regime de exceção sem dizê-lo. Abraçar causas “sociais” que servem apenas para subverter a base da sociedade, desagregando-a: sem consciência de povo, o que poderá o povo fazer?

Eis o Estado petista. 

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