378. Desalento

Uma postagem do Facebook serviu de base a este texto, feito com certa pressa para tapar um buraco deixado por um colunista. Perdoem-me de antemão por qualquer imprecisão teórica e lembrem-se: é um artigo para o público em geral, com toques contados.

* * *

O motivo de o socialismo arregimentar a juventude é o seu canto de sereia. Quem não quer a extinção da miséria e o fim da injustiça social? O problema reside nas soluções que os teóricos e burocratas criam para chegar a essa situação, soluções que passam pelo controle estatal de toda a vida civil e econômica de uma nação e que, pela complexidade dessas relações, mal administradas pelo Estado, geram falhas de abastecimento e corrupção.

A teoria é linda, mas tem um erro fatal: não considera o sentimento e as vontades do gênero humano.

As manifestações que temos visto país afora desde meados do ano vão nessa tendência, embora nem todas se declarem socialistas, pedem mais Estado na vida civil, mais intervenção. E o Estado veio com a sua pior face: a valsa dos cassetetes e as cortinas de gás.

Por que essa estadolatria? Por que a crença ingênua de que o Estado tem condições reais de prover todas as necessidades da sociedade?

O “bem comum”, a res publica, tornou-se não apenas um balcão de negócios escusos, mas o catálogo dos nossos piores vícios enquanto nação. O jeitinho, os envelopes recheados, os apertos de mão na penumbra, as manipulações legais e ilegais que se operam no seio da coisa pública, justamente por quem deveria salvaguardá-la.

Não valem de nada manifestações, não adiantam eleições, nem quebra-quebra, golpes de estado. Enquanto o Volksgeist — o espírito do povo — tiver como determinantes nossos piores e mais baixos instintos, nada mudará.

O que sofremos, além de uma crise política e material, é uma crise moral, muito mais grave e que não será sanada com ações do Estado.

* * *

Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara, em 8/7/2013.

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