376. A morte dos outros é refresco

Espera-se piedade para com os moribundos. Também para gente afetada por doenças agressivas que, cedo ou tarde, vão engrossar o grupo dos que vão se extinguir enrolados em lençóis hospitalares mal lavados.

O ser humano — ou o brasileiro, ou os nossos vizinhos, parentes — tem isso da santificação do sofrimento. A doença santifica, limpa reputações. Quando eu era criança, os mais velhos — não esses mais velhos de hoje, hippies que vivem de reflexos do barato de ácido — costumavam dizer que não se deseja a morte alheia, um sentimento sebosinho de catecúmeno que se arrepende do desafogo sexual.

Por que a piedade para quem somente se arrepende no fim, na situação irremediável, quando não há mais chance de uma reabilitação moral? Ora, não é problema nosso. Que encomende a alma e aguarde a Sanção.

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