350. Economia concursada

Na edição do último domingo (13/1, pág. A10), a Tribuna publicou uma matéria sobre concursos. O fenômeno do concurso público no Brasil sempre chama atenção, porque é consequência da concepção de Estado e da visão sobre as atividades econômicas no País.

As atividades econômicas, quando não são monopolizadas ou reguladas pelo Estado, estão a sua margem. E nisso não há qualquer interesse de benefício para a população, é apenas a garantia de que os impostos não escorreguem para fora das arcas do Estado. Ou seja, mantendo a economia burocratizada, o Estado controla a arrecadação, mas também retarda o crescimento econômico, alimentando unicamente a especulação econômica em vez de fomentar o crescimento dos meios produtivos. Toda a legislação existente criminaliza obrigatoriamente o produtor.

Para perceber a pressão do Estado sobre a economia, basta ver que o Brasil caiu do 70º lugar, em 2007, para o 100º, em 2011, no Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation. Isso entre 177 países avaliados. Nossos vizinhos na lista? Gabão (99º) e Benim (101º).

Num ambiente de repressão econômica, somente grandes conglomerados têm cacife para investir e produzir. A população economicamente ativa, que poderia dar sua contribuição além de ser força de trabalho, acaba por deprimir-se frente à burocracia estatal.

E, nesta situação desoladora, somente fazer parte da burocracia parece alentador. Não é culpa de quem procura o concurso público: é simplesmente porque somos culturalmente impelidos, pois a livre iniciativa econômica é punida pela burocracia. E outra: em um país assolado por crises sistêmicas, o serviço público ainda é visto como uma ilha de tranquilidade.

* * *

Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 15/1/2013.

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