331. Ao senhor Governador

“Não vejo nada de errado…”

Não sem certo assombro ouvi a declaração do governador Geraldo Alckmin, na última quinta-feira (15), sobre a onda de violência que assola o Estado desde setembro. “[…] senão se cria uma situação muito injusta, quase que uma campanha contra São Paulo. E não é possível fazer isso e ainda criar uma situação de pânico na população”.

Não se trata de criar uma campanha, Sr. Governador. É situação dada. E outra: o pânico não precisa de agente, ele inclusive vai melhor no boca a boca, não precisa de jornais e televisão, ainda mais num país em que jornal é coisa para poucos e televisão é vista somente como entretenimento. O “Jornal Nacional” é somente música de fundo para o jantar da família brasileira.

Com essas palavras, Alckmin externaliza uma concepção errônea — ou não? — e típica de regimes mais fechados: que a culpa das calamidades do povo necessariamente passa pela imprensa. Talvez PSDB e PT partilhem da mesma visão sobre o funesto “controle social” da mídia. Afinal, suas vertentes políticas — a fábrica e a academia — costumam andar de mãos dadas nos partidos políticos de esquerda europeus. Somente aqui que se criaram dois monstros, cada um com meia cabeça.

E enquanto o governador vem com conversa evasiva, o Estado paralelo, operado de dentro dos presídios, continua espalhando o pânico de forma efetiva, com balas e mortos. A sociedade civil está esperando uma resposta adequada ao problema, Governador. Pulso, medidas efetivas. Que os presídios deixem de ser a pós-graduação da criminalidade. Apenas isso.

* * *

Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 20/11/2012.

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1 comentário

  1. Thiago Dias

     /  20/11/2012

    Queremos pulso? Uma espécie de salvador? Que tal um “Rota na rua”? É curioso que este slogan ou a imagem de “heróis que nos libertam do mal com seu forte pulso” costumam fazer eco justamente entre aqueles para quem “jornal é coisa rara e televisão é somente entretenimento.” Um pedido por “pulso” não me parece estar tanto em harmonia com “leitores de jornal” ou atentos espectadores do JN, mas de espectadores que fazem a fortuna de “jornalistas” como José Luis Datena. Aliás, será que ele teria o “pulso” reclamado?

    Responder

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