295. Paraguai, Venezuela e o Foro de São Paulo

O Grande Obtuso observa tudo

A decisão do Parlamento de afastar Lugo, em 22/6, por mais que se questione o tempo da ação de impeachment, é legítima dentro do arcabouço legal do Estado paraguaio. Porém, como o ex-presidente é considerado ‘amigo’ pelo Foro de São Paulo (FSP), com a mesma rapidez tão criticada, o Paraguai foi suspenso do Mercado Comum do Sul (Mercosul), em 28/6, e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Apenas para elucidar: o FSP é uma agremiação de partidos de esquerda que congrega, entre muitos, PT, Frente Amplio (partido no poder no Uruguai), o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), representante do chavismo, e até mesmo o mui democrático Partido Comunista Cubano. É a Internacional do populismo oportunista.

Com a suspensão do Paraguai, o caminho para o ingresso da Venezuela no Mercosul está pavimentado; o país de Lugo era o único do bloco que não havia ratificado a “República Bolivariana”.

Embora a presidente argentina, Cristina Kirchner, já tenha “decretado” — e até marcado data: final de julho — a entrada da Venezuela no bloco, os outros países ainda estão reticentes justamente por causa da obviedade da ligação dos fatos. O incidente parece ter sido criado para atingir esse objetivo, mesmo com o alto preço de ‘queimar’ um aliado. A ocupação de uma fazenda em Curuguaty, em 20/6, pelos Campesinos, acabou por provocar um confronto com a polícia, no qual foram mortas 17 pessoas e mais de 90 ficaram feridas. Haja vista as táticas do FSP, o episódio todo pode muito bem ter sido orquestrado; se não o foi, veio bem a calhar às intenções do Foro.

A Venezuela no Mercosul será a morte das intenções iniciais do bloco, delineadas no Tratado de Assunção (1991). É o país menos democrático do subcontinente, sua constituição foi entupida de emendas para favorecer Chávez e seus aliados, a Petróleo de Venezuela S/A (PDVSA, estatal de petróleo) tem 80% do PIB e a economia — paraestatal — está absolutamente em frangalhos. O que a Venezuela agregará economicamente?

Logo se vê que o Mercosul está sendo transformado — e não é de hoje — em uma extensão operacional do FSP, o mercado comum do compadrismo e da afinidade ideológica. O mesmo vale para a tal Unasul, que já nasceu com a marca indelével de sua afiliação partidária.

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Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 3/7/2012.

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