301. Futuro relativo

Um passinho pra frente, outro pra trás

O discurso político está cravejado pela noção de ‘futuro’, usada apenas como fuga retórica e nunca como conceito real. Não sei o que pode ser mais nocivo. O futuro é uma armadilha; o futuro depois-que-eu-for-eleito ainda é usado e ainda ilude muita gente.

Basta observar o comportamento do Governo Federal frente à crise econômica internacional. O Brasil teve, nos últimos anos, uma posição economicamente realmente invejável: relativa estabilidade e crescimento baixo, mas constante. Um período bom para pôr em marcha reformas necessárias: política, trabalhista e tributária. Agora, com uma injeção artificial de crédito, tenta-se evitar os efeitos nocivos da crise. O efeito colateral, porém, é o aumento da inadimplência e endividamento das famílias. As carteiras de crédito dos bancos podem tornar-se bolhas insolúveis: uma crise de crédito.

O setor agrícola nacional não fica atrás. A monocultura localizada ainda existe; em vez de o agricultor ter pelo menos duas culturas em suas terras, opta pela momentaneamente mais rentável, o que pode funcionar por 2, 5, 10 anos, mas, cedo ou tarde, colapsa. Basta ver o caso atual da laranja: as frutas ficarão no pé porque não compensa colhê-las. Há uma supersafra, demanda e preço no mercado internacional despencaram, e o mercado interno não tem como absorver o excedente.

Também a indústria. Em vez de procurar modernizar-se, busca no Governo apoio para crises endêmicas, não conseguindo concorrer com os manufaturados chineses. A desindustrialização do País é uma realidade, basta lembrar o caso já antigo da cidade de Americana, que há muito deixou de ser a “Princesa Tecelã”.

Faltou planejamento de longo prazo, faltou competência e, sobretudo, faltou união de toda a sociedade.

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Publicado na Tribuna Impressa em 31/7/2012.

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300. Um pouco de numismática – Duas moedas belgas

Apesar de colecionar moedas desde os meus 6 anos, creio que dediquei poucas postagens ao assunto neste blogue (lembro-me apenas de uma, com tom relativamente ácido). Portanto, hoje dedico algumas linhas ao interessantíssimo mundo das moedas.

Muitos não percebem o valor das moedas. Não o monetário, pois hoje, tempos de moeda fiduciária, os itens metálicos ficaram para a representação dos valores menores, mero troco.

Fig. 1 – Família de moedas britânicas (fonte: Wikipédia)

Nem sempre foi assim. O papel-moeda é uma invenção da Idade Média e somente passou a ser o centro das transações no século XIX; antes, o comércio era feito com metal no formato de discos, as moedas. Uma regra que valeu por um bom tempo foi que as moedas de valor menor eram cunhadas em cobre; as de valor mediano, em prata; e as mais valiosas, em ouro. Padrão hoje que, mesmo não sendo mais usual, ainda mantém certa influência, por exemplo, na cunhagem britânica, na qual as moedas 1 penny e 2 pence são de metal similar ao cobre; as de 5, 10, 20 e 50 pence, prateadas; e a de uma libra, dourada (fig. 1).

O Brasil também seguiu esse padrão em boa parte de sua história financeira e numismática. A última moeda de prata para circulação comum é dos anos 30. Depois disso, com a progressiva desvalorização e a passagem para moeda fiduciária, optou-se pela cunhagem em materiais mais baratos, como bronze-alumínio, alumínio, cuproníquel e aço inoxidável.

Mesmo relegadas ao fundo dos bolsos, as moedas ainda podem contar muito a respeito de determinada cultura, suas influências e tradições.

Dois exemplos sobre os quais me debrucei durante uma manhã toda pode dar amostras interessantes do que podemos “arrancar” de informação de meros pedaços de metal timbrados.

São duas moedas belgas: uma de 5 francos, de 1968, e outra de 1 franco, de 1923. São moedas de valor baixo, a primeira de níquel e a segunda de cuproníquel. O que chama a atenção nas moedas belgas é o fato de que até a introdução do euro, elas eram bilíngues. A Bélgica tem uma área de língua holandesa, ao norte, e uma de língua francesa, ao sul, Flandres e Valônia, respectivamente. Mas, com algumas exceções, as moedas não traziam as duas línguas e sim havia sempre duas moedas diferentes para cada valor. Exatamente iguais, exceto onde se lê o nome do país (Belgique ou België) e, no caso da moeda anterior, do período entreguerras, o Goed voor ou Bon pour (“Bom para”).

Fig. 2 – Um franco belga, 1925

Na moeda de 1 franco (fig. 2), em seu reverso, além do Goed voor, vê-se um bastão. A primeira análise pode levar um observador incauto — como fiz inicialmente — a deduzir que se trata do bordão de Esculápio, símbolo do deus romano da Medicina e da Cura (Asclépio, na versão grega). Porém, o bordão de Esculápio não é alado. Em algumas farmácias antigas era comum vê-lo como emblema; porém, o que temos nessa moeda é um caduceu, o bordão de Mercúrio (Hermes), patrono do Comércio. Outro uso moderno desse símbolo é como representação dos sindicatos de comerciários. Logo, sua presença em uma moeda faz menção, obviamente, à função monetária, ao comércio; a função primeva da moeda foi de facilitar o comércio, para substituir a simples troca de gêneros: a moeda como intermediária das relações comerciais. Realmente interessante.

No anverso, o nome do país, België, e uma figura feminina ajoelhada, aparentemente calçando uma bota. Igualmente não se trata de uma simples alegoria feminina para ornar. Embora não tenha achado fontes textuais, faço uma dedução que tem muita chance de estar correta: trata-se da personificação da Bélgica, uma figura feminina representando a pátria.

Fig. 3 – 50 pence (1968-1997)

A ideia de personificação de conceitos, regiões e países nos vem dos romanos. Suas moedas são pródigas em exemplos de personificação, seja de províncias (Britânia – fig. 4, Germânia, Hispânia, Judeia, das que consigo lembrar-me sem recorrer a livros), de conceitos (Justiça, Liberdade, Letícia — Alegria) ou mesmo do Estado romano (Roma, Genius Populi Romani). As personificações conceituais em numismática podem ser tanto de corpo inteiro quanto apenas o busto.

Fig. 4 – Sestércio romano do imperador Antonino Pio (138-160 d.C.) com a Britânia

Entre nós tal conceito também vicejava e ainda viceja. A representação da República presente em nossas cédulas, embora seja a adaptação feita pela Revolução Francesa, evoca essas personificações antigas. A moeda de 50 pence inglesa (fig. 3), até a remodelação de 2008, apresentava a Britânia sentada, apoiando um escudo e uma lança e com um ramo de oliveira na mão esquerda.

No caso da nossa moeda de 1 franco, parece que a Bélgica calça uma bota, tem à cintura uma espada e, do outro lado, um escudo. Pode ser mesmo uma releitura da Britânia ou uma criação propriamente belga, inspirada em velhas personificações. A única informação possível é o nome do gravador, Armand Bonnetain. Não consegui informações adicionais e, infelizmente, na fig. 2 o nome do gravador foi digitalmente apagado, mas pode ser bem percebido na fig. 2A.

Fig. 2A – Um franco belga. O nome do gravador pode ser visto logo acima do pé da Bélgica, do lado esquerdo (clique para ampliar)

Fig. 5 – Cinco francos (acervo do autor)

A moeda de 5 francos também tem detalhes interessantes. Também segue o padrão de bilinguismo, mas uma língua em cada moeda. No reverso, alguns exemplares, Belgique; em outros, België. No centro, um ramo de carvalho simétrico geometricamente estilizado; é possível ver os veios da folhas e, junto com o primeiro par de folhas, as duas características bolotas da planta. À esquerda do ramo, “5”; à direira, “FR”, de franco, compondo o valor facial. Encimando o ramo de carvalho, uma coroa real com fitas esvoaçantes. Trata-se de uma representação heráldica alegórica, uma vez que a monarquia belga não tem uma coroa física, como a inglesa.

No anverso, a representação de Ceres, considerada por romanos e gregos (sob o nome de Deméter) a entidade tutelar da Agricultura. Do lado esquerdo, a data; do direito, uma cornucópia, símbolo romano que representa a Agricultura e o Comércio; trata-se de um chifre de cabra cheio de gêneros agrícolas: trigo, frutas, legumes. Tem relação ao mito da cabra Almateia, que alimentou Júpiter (Zeus) em sua primeira infância. É um símbolo de abundância, que faz eco com a efígie de Ceres. Abaixo do busto, o nome do gravador: Rau, Marcel Rau.

Espero dar continuidade a este tipo de artigo entre as críticas políticas. É bom para desopilar o fígado.

299. A volta de Cacareco, via Romênia

Cacareco na glória de sua vereança

Procurando a fotografia de Zúñiga para ilustrar o post de número 297, acabei encontrando no site de um jornal romeno, o Ghimpele, uma postagem que disserta sobre eleições amalucadas e candidatos bizarros, além de Zúñiga, estava também o famoso caso ocorrido nas eleições municipais paulistanas de 1959, a eleição do Cacareco, rinoceronte do Zoológico de São Paulo, que foi “eleito” vereador com mais de 100 mil votos.

O romeno é uma língua românica, mas com muitas influências húngaras e eslavas; mesmo assim é possível pescar algo do texto original. Abaixo, o excerto sobre a “eleição” do Cacareco. Faltam, porém, os diacríticos.

In anul 1959, un grup de studenti din Sao Paolo, Brazilia, suparati pe sistemul politic corupt, au gasit o metoda inedita de a protesta. Profitand de faptul ca un rinocer de la Gradina Zoologica din orasCacareco (care inseamna “gunoi” sau “deseuri”), se bucura de popularitate in randul localnicilor deranjati la randul lor de sistemul politic corupt, studentii au desemnat animalul ca si candidat pentru alegerile locale. Cu toate ca oficialii din comisia electorala nu au acceptat aceasta candidatura, localnicii au pus fiecare vot in plic si l-au trimis autoritatilor. Corelat cu absenteismul foarte mare, rezultatul a constat in castigarea a 100.000 de voturi pentru Cacareco, mai mult decat oricare alt candidat. Asa cum era de asteptat, alegerile nu au fost validate.

A reportagem do jornal romeno tampouco se esqueceu do Macaco Tião, candidato a prefeito do Rio de Janeiro em 1988. A “candidatura” de Tião foi criada pela revista Casseta Popular (cujos membros deram origem à trupe do programa Casseta e Planeta Urgente) como protesto. Tião obteve 400 mil votos.

Macaco Tião este o maimuta de la gradina zoologica din Rio de Janeiro care a candidat in mod neoficial lapostul de primar al orasului in anul 1988, cand alegerile nu erau bazate pe un sistem electronic. A obtinut 400.000 de voturi si s-a clasat pe locul 3, dar asa cum era de asteptat, voturile sale nu au fost validate. Tião a murit in anul 1996, iar primarul a decretat zi de doliu in onoarea sa. In prezent, statuia lui Tiao Macaco poate fi intalnita la intrarea in gradina zoologica.

Texto completo aqui.

298. Horário eleitoral gratuito – algumas colocações

Paul das Girls

O horário eleitoral gratuito foi introduzido pela Lei nº 4.737, de 15 de junho de 1965, que criou o Código Eleitoral, e é um dos sintomas mais aparentes do fisiologismo que embasa a vida pública nacional. Pergunto se as consequências de uma lei aprovada no início de um “período de exceção” tem validade moral entre nós. Moralmente apenas, pois no campo jurídico sabemos que nossos magistrados são reis no cambalacho e já conseguiram justificar absurdos de calibre mais grosso.

Pesquisas várias já detectaram que grande parte do eleitorado não assiste ao horário político. Fora nossa congênita apatia política, sabemos que há diferença entre discurso e ação política, e é notório que esta não é reflexo daquele.

Mesmo sendo um instrumento anacrônico e sem legitimação — sempre no campo moral —, o horário ainda é o carro-chefe das campanhas; nas vinhetas e nos programetes, os candidatos exibem-se limpinhos, lustrosos, impolutos, cheios de afirmações veementes que, caso eleitos, tornam-se um punhado de senões e poréns.

Se um industrial ou um comerciante quiser fazer propaganda do seu produto, deve pagar aos meios de comunicação para a veiculação da mensagem. Por que partidos políticos, independentemente de seu matiz ideológico — ou falta dele —, valendo-se de uma lei aprovada durante a unanimemente execrada “ditadura”, continuam a fazer uso desse mecanismo? Esse comportamento, do “direito adquirido”, continua envenenando a política nacional, lastreando o fisiologismo, o loteamento de cargos e a feudalização das instituições.

O certo seria que candidatos e partidos pagassem pelo horário. E sem dinheiro de fundo partidário, que sai do bolso do contribuinte. Mas isso é assunto para outra hora.

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Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 24/7/2012.

297. A síndrome de Zúñiga – uma doença mexicana

Nicolás Zúñiga y Miranda

Andrés Manuel López Obrador perdeu as eleições presidenciais do México novamente. Já as perdera em 2006, quando a diferença entre ele e o presidente então eleito, Felipe Calderón, não passou de 230 mil votos. López Obrador pediu recontagem de votos, convocou passeatas, acampamentos e, mesmo após as repetidas análises do Instituto Federal Eleitoral mexicano que comprovaram o resultado do pleito, seus sectários declararam-no “presidente legítimo”. O mesmo problema parece delinear-se agora, quando López Obrador perde novamente a presidência para Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional — legenda de nome curioso, diga-se de passagem.

Quem pensa que essa estranha conduta de candidatos no México é novidade, engana-se. Nicolás Zúñiga y Miranda, mexicano de aristocráticas origens espanholas, além de candidato endêmico — participou das eleições presidenciais de 1892, 1896, 1904, 1910, 1917 e 1920 — sempre se dizia vítima de fraude e declarava-se presidente legítimo, não obstante o fato de nunca ter conseguido mais de mil votos. Em várias dessas ocasiões, declarou-se “presidente legítimo” do país, então dominado por Porfirio Díaz.

Esse tipo de comportamento político mexicano é resultado de quando um candidato se imbui de ser a contraposição àqueles que estão no poder. Além de Zúñiga e López Obrador, outros mexicanos foram acometidos pela curiosa síndrome: José Vasconcelos (1929), Juan Andreu Amazán (1940) e Salvador Nava, que se declarou “governador legítimo” frente à acusação de fraude nas eleições de 1991 para o Governo do Distrito Federal.

A doença parece grave e seus sintomas, intermitentes. Espero que não seja contagiosa, pois já nos bastam as febres terçãs da esquerda brasileira.

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Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 17/7/2012.

296. Espírito de 1932

Ontem se comemorou o 80º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932. A data passou a ser oficialmente festejada quando, em 1997, foi declarada feriado por lei do governo Mário Covas.

A Revolução de 1932 foi por uma constituição para o Brasil. Getúlio Vargas, perdedor das eleições presidenciais de 1930, e seu partido, a Aliança Liberal, resolveram tomar o poder pela força, não obstante a retumbante derrota eleitoral para o paulista Júlio Prestes, o único presidente eleito do Brasil impedido de assumir.

Vargas triunfou militarmente e instalou-se no poder. Quando sua ridícula quartelada revelou-se apenas sede de poder e centralismo, o Estado de São Paulo, cansado de interventores federais e da progressiva perda de autonomia, resolveu por bem mover-se militarmente por uma nova era constitucional. Saímos perdedores, mas conseguimos a Constituição de 1934 que, ai!, não resistiria ao Estado Novo do Mussolini tupiniquim.

Embora certos historiadores manchados pela retórica oca da historiografia marxista insistam em tentar desmoralizar a Revolução e suas consequências, foi crucial o papel doa Revolução Constitucionalista para a história posterior do País.

Vendo a apatia geral das pessoas, a nossa passividade em determinados assuntos, as preocupações inúteis com consumo, pergunto-me o que houve com aquele povo valente que se levantou em armas para pedir uma constituição. Mesmo a nossa atual Constituição, o que vale? Para que serve além de ser peso de papel em bem iluminados escritórios de advocacia e o que garante além de fantasias? Quem sairia hoje para defender algo além do seu interesse próprio imediato?

O 80º aniversário da Revolução Constitucionalista parece ser o 80º aniversário de uma derrota moral da qual nunca mais nos recuperamos.

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Artigo publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 10/7/2012.

295. Paraguai, Venezuela e o Foro de São Paulo

O Grande Obtuso observa tudo

A decisão do Parlamento de afastar Lugo, em 22/6, por mais que se questione o tempo da ação de impeachment, é legítima dentro do arcabouço legal do Estado paraguaio. Porém, como o ex-presidente é considerado ‘amigo’ pelo Foro de São Paulo (FSP), com a mesma rapidez tão criticada, o Paraguai foi suspenso do Mercado Comum do Sul (Mercosul), em 28/6, e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Apenas para elucidar: o FSP é uma agremiação de partidos de esquerda que congrega, entre muitos, PT, Frente Amplio (partido no poder no Uruguai), o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), representante do chavismo, e até mesmo o mui democrático Partido Comunista Cubano. É a Internacional do populismo oportunista.

Com a suspensão do Paraguai, o caminho para o ingresso da Venezuela no Mercosul está pavimentado; o país de Lugo era o único do bloco que não havia ratificado a “República Bolivariana”.

Embora a presidente argentina, Cristina Kirchner, já tenha “decretado” — e até marcado data: final de julho — a entrada da Venezuela no bloco, os outros países ainda estão reticentes justamente por causa da obviedade da ligação dos fatos. O incidente parece ter sido criado para atingir esse objetivo, mesmo com o alto preço de ‘queimar’ um aliado. A ocupação de uma fazenda em Curuguaty, em 20/6, pelos Campesinos, acabou por provocar um confronto com a polícia, no qual foram mortas 17 pessoas e mais de 90 ficaram feridas. Haja vista as táticas do FSP, o episódio todo pode muito bem ter sido orquestrado; se não o foi, veio bem a calhar às intenções do Foro.

A Venezuela no Mercosul será a morte das intenções iniciais do bloco, delineadas no Tratado de Assunção (1991). É o país menos democrático do subcontinente, sua constituição foi entupida de emendas para favorecer Chávez e seus aliados, a Petróleo de Venezuela S/A (PDVSA, estatal de petróleo) tem 80% do PIB e a economia — paraestatal — está absolutamente em frangalhos. O que a Venezuela agregará economicamente?

Logo se vê que o Mercosul está sendo transformado — e não é de hoje — em uma extensão operacional do FSP, o mercado comum do compadrismo e da afinidade ideológica. O mesmo vale para a tal Unasul, que já nasceu com a marca indelével de sua afiliação partidária.

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Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 3/7/2012.

294. “Meu nome é Vermelho”, Orhan Pamuk

Capa da 2ª edição

No fim da Europa

Uma história de “detetive” em pleno período dourado na Istambul capital do Império Otomano. Eis o mote de “Meu nome é Vermelho” do laureado escritor turco Orhan Pamuk. O sultão reinante manda seu ateliê de pintura executar um livro ilustrado ao estilo ocidental para impressionar o doge de Veneza; porém, o estilo figurativo ocidental é considerado anticorânico e logo o principal artista é morto. A narrativa vai da faceta policial uma história de amor proibido e reflexões sobre Ocidente e Oriente. Um misterioso homem, chamado Negro, volta a Istambul depois de 12 anos e tem apenas três dias para resolver o mistério da morte do artista.

Escrito num estilo de múltiplas vozes protagonistas, o livro lido com atenção ainda pode prover uma rica fonte sobre a vida e a história do Império Otomano daquele período. Talvez o único senão da excelente edição obra de Pamuk — para nós, claro — seja que sua tradução tenha sido feita a partir das edições em francês e em inglês, como costumava ocorrer com os clássicos russos.

“Meu nome é Vermelho” – Orhan Pamuk – Companhia das Letras – 534 págs. Entre R$ 40 e R$ 70

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Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 2/7/2012.