284. O poder pelo poder

Talvez Machiavel explique; talvez

O título pode parecer cruel e maledicente — maquiavélico, no melhor sentido da palavra, talvez —; mas já o explico. O Brasil é uma invenção, uma estranha invenção política à qual simplesmente nos acostumamos. A gênese do país deu-se por processos nos quais não houve nenhum tipo de pressão ou participação de alguma parcela consideração da população.

A própria Independência foi gerada por problemas políticos entre Dom Pedro e as Cortes portuguesas, que culminaram no rompimento político entre Brasil e Portugal e a criação de uma monarquia em um continente de repúblicas.

A nossa república não passou de uma quartelada que foi o ponto culminante do processo de desgaste político da monarquia desde o fim da Guerra do Paraguai (1864-1870). A dita Revolução de 1930 foi um choque entre gente que queria o poder com gente que não queria largar o poder.

Esses fatos históricos mostram apenas de como as mudanças no Estado brasileiro foram sempre uma questão de conveniência a quem estava no poder ou muito próximo a ele. Para nós, brasileiros, o poder político é sempre algo que “vem de cima”. Por isso a pouca ou nenhuma identificação do cidadão com o poder público — ou do eleitor com aquele que é eleito.

Dentro dessa óptica, aqueles que são eleitos para o Executivo e para o Legislativo representam não quem os elegeu, mas simplesmente o poder que exercem. Logo, os mandatários sentem-se no direito de legislar para si ou para partidos. O único projeto que existe não é o de governo, mas sim o projeto de poder.

O país precisa ser ‘refeito’ de ‘baixo para cima’; do ‘menor para o maior’. Logo, o cerne das mudanças tem de ser as câmaras de vereadores e a sua ressignificação frente aos munícipes.

* * *

Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 12/6/2012.

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1 comentário

  1. Isso me remete a uma alternativa no mínimo federalista ou quissá, uma ruptura da centralização do poder e uma divisão do pais em várias repúblicas. Não sei ser seria uma solução, mas desconcentraria poder, sobretudo econômico, o que refletiria diretamente no tipo de política demagógica e populista que é sempre usada a cada eleição por todos os partidos e políticos, ao menos aqueles que se elegem, especialmente, os que usam da máquina e das ‘coligações’, as maiores rameiras da ideologia.

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