275. “Bestiário”, Julio Cortázar

Monsieur Cortázar

Animais invisíveis

Bestiário é o nome que dado a obras medievais que reúnem narrativas sobre animais fabulosos ou reais ou que contenham iconografia animalista. O “Bestiário” de Julio Cortázar tem poucos animais; principalmente no conto-título e em “Cefaleia”, no qual aparece a mancúspia, mamífero imaginário.

As ‘bestas’ de Cortázar são sentimentos humanos, sempre majorados, à beira do absurdo e do nauseante. Trata-se do primeiro livro de contos do autor, publicado em 1951 e, segundo o próprio Cortázar, vários dos contos foram escritos como autoterapias psicanalíticas: “Escrevi esses contos sentindo sintomas neuróticos que me molestavam”.

Considerado um dos grandes escritores argentinos — além de Jorge Luis Borges e Ernesto Sabato —, Cortázar marcará nessa recolha o embrião de um estilo que o seguirá pelas obras posteriores, principalmente pela tentativa de vivissecção dos volteios da alma e da mente humana, causando estranhamento pela sua aparente frieza.

“Bestiário”, Júlio Cortázar – várias edições, preço variável

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Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 27/5/2012.

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