266. “A misteriosa chama da Rainha Loana”, Umberto Eco

Eco sorrindo

Pelos labirintos da memória

Após um acidente, um livreiro encontra-se desmemoriado. Mas não se trata de uma amnésia comum; ele se lembra apenas do que leu. Todas as suas memórias são trechos de livros, de poemas, e cada trecho evoca alguma familiaridade; algo que o desmemoriado sente, mas não apreende por inteiro, como aquela sensação de quando tentamos nos lembrar de uma palavra e ela vai esconder-se nas profundezas do cérebro, deixando apenas uma impressão fugaz.

A reconstrução da memória pelas referências textuais e icônicas dos anos 30, 40 e 50 é o mote do romance “A misteriosa chama da Rainha Loana”, do escritor e semioticista italiano Umberto Eco. Mais conhecido pelo seu “O nome da rosa”, o autor surpreende pelo romance “ligeiramente autobiográfico” e com a reconstrução da memória de seu personagem faz um apanhado da história da Itália dos anos 1930 até 1990, tempo presente da narrativa.

Ao leitor que for aventurar-se com Eco, duas recomendações: paciência   e boa vontade. “A misteriosa chama…” é um desses romances que mostram que literatura não é somente passatempo ou diversão fácil. Nota: o livro autointitula-se “romance ilustrado”.

* * *

Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara, em 29/4/2012.

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