257. “O Livro dos Hereges”, Aydano Roriz

Às vezes, a História — principalmente como disciplina escolar — parece-nos intragável. Morta, coberta de poeira. Porém das folhas carcomidas e caligrafadas do passado também pode emergir matéria viva, que num átimo, um rebrilho, nos leva novamente a viver aquilo. Um gênero literário que busca esse rebrilho é o romance histórico.

Atualmente pouco usado ou lembrado, o gênero tem novo alento com o Aydano Roriz, que com “O Livro dos Hereges” mostra todo o esplendor da literatura de fundo histórico. Para quem leu o interessante “O Brasil Holandês”, organizado por Evaldo Cabral de Mello, os personagens históricos envolvidos ganham carnação nas linhas do romance: o governador Diogo de Mendonça, deposto pelos holandeses, Van Dorth, o fidalgo holandês escolhido para governar a cidade de Salvador ocupada pelas tropas batavas e outros menos destacados.

O trabalho de pesquisa para o livro levado a cabo por Roriz é irreprochável e riquíssimo em detalhes. O que pode enjoar um pouco o leitor não acostumado com o gênero são as notas de rodapé — muito comuns no gênero —, as várias palavras em holandês — uma verossimilhança que soa um pouco artificial —, e o estilo excessivamente lusitano na fala dos personagens portugueses.

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Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 9/4/2012.

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