255. “A jangada de pedra”, José Saramago

Península Ibérica à noite

Flutuação ibérica

Portugal e Espanha sempre tiveram um problema de identificação com a Europa: eram ricos e tinham colônias quando o continente trincava-se em guerras; decadentes no período de grande pujança econômica europeia; com regimes ditatoriais enquanto a Europa consolidava a democracia. Os olhares europeus para a Península Ibérica também nunca foram os melhores. “A Europa termina nos Pirineus”, disse certa vez Talleyrand.

É com essa ideia que José Saramago escreveu “A Jangada de Pedra”, de 1986. Iberista convicto, melancolicamente acolhe a separação entre o continente e a “ilha” ibérica. Em uma metáfora surpreendente, a península descola-se da Europa e começa a navegar pelo Atlântico, para desespero de seus habitantes.

Como centro da narrativa, um grupo que se une por acaso e percorre os dois países da agora ilha, registrando suas impressões enquanto a massa de terra navega rumo à América do Norte.

A alegoria pode ser mesmo lida com uma chave bem atual: a crise econômica que assola as duas nações e o papel que elas representam hoje na Europa.

Prêmio Nobel de Literatura, Saramago é conhecido pela obra e pela. Seu inovador modo de colocar diálogos no texto em parágrafos compactos é curioso à leitura da primeira obra, depois, a coisa se torna um pouco cansativa.

* * *

Uma versão ligeiramente alterada saiu na Tribuna Impressa de Araraquara em 1º/4/2012.

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