240. “Kaputt”, Curzio Malaparte

Começamos a coluna sobre livros na 'Tribuna Impressa' sob a invocação de São Curzio

Domingo. Hoje, a Tribuna Impressa de Araraquara estreia seu “Painel Cultural”, na página B2 do caderno de cultura Tô Ligado. Três manifestações culturais estão ali contempladas: a literatura, a música e o cinema. Este que vos escreve ficou com os livros.

Abaixo, o texto inaugural, sobre “Kaputt”, de Curzio Malaparte.

* * *

Beleza cruel

Com uma narrativa clara, mas detalhada, “Kaputt”, do italiano Curzio Malaparte (1898-1957), mostra os horrores da Segunda Guerra Mundial pelo lado dos vencidos. Não apenas uma simples narração ou recriação: com trânsito livre nos bastidores de poder e círculos intelectuais, o autor foi habitué desses ambientes e os detalha com estilo inigualável. Ora no requintado mundo diplomático — que dividia com outros intelectuais como o Conde de Foxá, escritor e diplomata espanhol — ora pisando lama e tomando nevascas como correspondente de guerra em lugares longínquos tanto para alemães como para italianos — como a Ucrânia e a Romênia —, mostra o espantoso da guerra é mostrado de maneira sublime e pesada. O realismo doído das paisagens e metáforas pouco comuns inebriam o leitor do começo ao fim; mostram o ser humano — combatidos e combatentes — reduzidos às suas naturezas mais abjetas, como se naquela guerra não houvesse vencedores ou perdedores. Na visão de Malaparte, todos estão condenados.

É leitura obrigatória para fugir dos lugares-comuns sobre a Segunda Guerra Mundial e moldar uma outra visão, incrivelmente mais humana.

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4 Comentários

  1. Martinho Pão-Mole

     /  23/03/2012

    Concordo em absoluto com a pequena crítica sobre o livro de Malaparte, «Kaputt».
    É precido lê-lo com atenção, pois nos dá uma imagem, no fundo, do que são todas as guerras.

    Responder
    • Sérgio F. Mendes

       /  24/03/2012

      Obrigado pelo comentário, Martinho. De fato. Elevado a uma ‘potência maior’, é um reflexo de todas as guerras. Além do mais, digamos que a 2ª Guerra é o primeiro conflito totalmente moderno, por isso creio que é ainda mais assustador a narrativa de Malaparte; ele mesmo parece, em alguns pontos “embasbacado”.

      Responder
  2. Gabriel

     /  13/06/2012

    Estou lendo o livro e gostaria de saber se alguém conseguiu identificar o oficial de Himmler que o acusou de chamar Hitler de mulher, no jantar que ele teve com Frank, o “rei alemão” da Polônia. Eu acredito que tenha sido Reinhard Heydrich, mas não tenho certeza.

    Responder
    • Sérgio F. Mendes

       /  13/06/2012

      Então, acho que não deve ser Heydrich porque ele foi diretor do Serviço de Segurança do Reich até 1941 e Malaparte cita “o chefe da Gestapo no Governo Geral”; o único cargo “fora” da Alemanha que Heydrich ocupou foi de Protektor no Protetorado da Boêmia e da Morávia (hoje Rep. Tcheca). Acho que se trata de Wilhelm Krüger… http://en.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_Kr%C3%BCger

      Responder

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