237. Oficializando o vermelho

Bandeira desenhada por Jean-Baptiste Debret

O assunto é amplamente desconhecido, mas não é novo. Típico das benesses promovidas pelas agências de fomento de pós-graduação (Fapesp, CNPq et al.) que promovem todo tipo de maluquice “inédita” com dinheiro público.

O jornalista Ricardo Seyssel, em sua dissertação de mestrado na área de Artes, defende um redesenho da bandeira do Brasil. Entre os motivos da mudança estão:

 1) a configuração da bandeira torna difícil sua reprodução; logo, a simplificação do desenho a facilitaria, já que, segundo o Inmetro, nenhum dos fabricantes de bandeira acerta nas proporções. O famoso e já institucional “nivelar por baixo”: se é difícil, vamos simplificar. Fico pensando em países cujas bandeiras são infinitamente mais difíceis que a nossa, como as que têm algum escudo d’armas, por exemplo, ou mesmo algumas que têm reproduções da bandeira britânica no canto superior direito (notoriamente Austrália e Nova Zelândia). A questão da dificuldade é relativa; ao meu ver, não se sustenta;

2) a ilegibilidade do lema que, segundo outro “especialista” — um designer — está disposto errado. E ainda há o pecado supremo de — oh! — ser “circunspecto a uma ideologia que está no passado”, ou seja, o positivismo. Como se a bandeira tivesse de ser atualizada a cada dez anos. Perdão, mas será que os ingleses querem livrar-se do “Mon Dieu et mon Droit”? Ou os holandeses do “Je maintiendrai”?

3) Ainda segundo o designer entrevistado para o trabalho, a faixa curvada para baixo configura um erro e “transmite uma sensação negativa”. Talvez o especialista tenha em mente um “smile”.

Segundo essa análise, o problema todo está na esfera azul que substituiu o pavilhão imperial na bandeira desenhada por Jean-Baptiste Debret (1768-1848). A solução de Seyssel é substituir a esfera por outra, vermelha sólida, “que seria uma referência à cor do tronco e da florada do pau-brasil”.

Ainda no texto de Tânia Ribeiro — no qual me baseei para escrever o presente texto —, “Analisando a influência da concepção visual sobre quem capta um determinado signo, o pesquisador conclui que, quanto mais representativa do lugar do qual se faz símbolo, mais reconhecida e respeitada é uma bandeira”.

Não seria o contrário? Um símbolo nacional passa a fazer parte do imaginário de uma nacionalidade. Não é simplesmente tão natural quanto um trevo que brota do chão. E representativo por representativo, algo poder ser representativo para um e para outra pessoa, não.

Tenho minhas dúvidas se a bandeira nacional deva ser objeto de alterações. Está muito presente no imaginário; verde e amarelo — Bragança e Habsburgo — são notoriamente as cores nacionais.

O trabalho de Seyssel é de 2006. A inclusão do vermelho, além de dar um ar “nipônico” à bandeira — lembraria muito aquelas horrendas fusões de bandeiras — é uma cor que tem um forte apelo partidístico. Acredito que, apesar dos “especialistas”, a maioria da população opor-se-ia a tais mudanças.

Logo no início da República, no afã de querer livrar-se das cores dinásticas, houve vários projetos — alguns realmente pavorosos — e nenhum vingou.

* * *

Texto original acerca do tema.

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1 comentário

  1. @tomfmartins

     /  14/03/2012

    Claro que o círculo vermelho estaria relacionado com as preferências ideológicas do aluno e orientador. A ideologia comunista é hegemônica nas universidades públicas, quanto mais as de “arte”. Gastam nosso dinheiro para fomentar a revolução de um bando de maconheiros. Acho que ele ficou com vergonha de propor uma estrela ou a foice e o martelo agora. Quem sabe no doutorado?

    Responder

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