220. A Estrela Morta

Por Rodrigo Brandão

“[O PT] Continua fiel a seus compromissos originários.” Eu, de verdade, não sabia que o Mensalão — cuja prescrição das penas é iminente, sob a inércia do STF, de modo que as sentenças não tenham efeito — fazia parte dos conceitos primitivos do PT. A bandeira da incorruptibilidade caiu.

“Para tanto, constituiu uma estrutura interna democrática, apoiada em decisões coletivas, sem mandonismo nem caciques, pautada pela vontade majoritária das bases.” Após insistência de Lula e Dilma, Marta Suplicy abriu mão da candidatura à prefeitura paulistana e caminho para Fernando Haddad, ex-ministro da Educação. Agora, Marta está com medo de “acordar de mãos dadas com Kassab”. Relaxa e goza. Cadê as prévias? Não enxergo debate. Apenas caciques. Na ânsia estratégica de assumir o Executivo do principal município do Brasil, caiu a bandeira do modelo democrático interno. E ergueu-se a das alianças escusas. Ou José Sarney, por exemplo, é um aliado que inspira credibilidade e, mais, dignidade?

Em 2001, a greve da PM na Bahia, governada à época pelo PFL-DEM, foi defendida pelo PT. Hoje, é reprimida. Caiu a bandeira da coerência entre discurso e prática. Impera o cinismo do silêncio.

O PT chega ao seu trigésimo segundo aniversário deformado em relação ao belíssimo projeto original, de ideais ascendentes e humanitários. Assopra a apagada vela da estrela morta e bate palma para Maquiavel.

* * *

Texto publicado na Tribuna Impressa de Araraquara/SP de 12/2/2012. Disponível também aqui.

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