202. Pesando nove anos

A política tornou-se nauseante. De ciência dos negócios do estado passou a significar legislar em causa própria. Tanto se criticou o governo FHC, os escândalos de corrupção, os problemas com a privatização das teles; votamos em peso num partido que fazia frente a corrupção, que denunciava e parecia ser uma oposição consistente. Pusemo-lo no poder com lágrimas de júbilo e o que se seguiu entre dois governos Lula e um mal começado governo Dilma foi o aprofundamento dessa descrença institucional, a implementação da corrupção e do casuísmo como as novas e máximas instituições de nossa combalida república, que de república transforma-se em um pavoroso estado de nomenklatura.

O remédio mostrou-se pior que a própria doença. Alastrou os sintomas, envolveu órgãos que jamais haviam sido comprometidos. Gente que tem como lei tácita o aparelhamento do estado e sua divisão entre sua camarilha. Que esperança ter numa classe política corrupta, na lei cujas brechas permite uma impunidade sem par, em opiniões que se tingem de viés partidário?

Com a sequência de governos de esquerda (ou centro-esquerda, vá lá), criou-se um Leviatã, alimentado pela apatia da população e por uma carga tributária monstruosa.

Que dizer? Que pensar? Encolho-me na minha covardia. Tento viver sem que o Estado e seus monstros patrocinados — o crime, a violência, o descaso, causados pela sua inação — comam-me vivos e espero, um dia, ser o dileto discípulo de Thoreau.

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