200. Reflexões à janela

(escrito originalmente em uma folha de papel sulfite)

Madrugada de 7 de outubro

Olho pela janela para apreciar a noite e sentir melhor a brisa fresca que aplaca o calor do dia ainda guardado em casa. A luz amarelada da iluminação pública tinge de reflexos dourados as arestas das casas e as estranhas torres da pequena igreja da quadra acima.

Vim à janela arrastado pela súbita ideia que a quietude noturna pudesse ajudar-me com um poema. Faz tempo que não os escrevo. Aliás, faz tempo que não escrevo nada muito consistente. Ainda à janela, veio-me a pergunta: “Não é a poesia algo idiota?” A vulgaridade do mundo, em que apenas as sensações carnais e o ter significam algo; a poesia parece ser algo fora do tempo. Perfumaria e afetação. Mas talvez seja a função de uns poucos mantê-la e livrar-nos da rotina; nela acreditar. O mundo não é apenas a vulgaridade do efêmero momento de uma garrafa estilhaçando-se no meio-fio.

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