196. Discussões

A Humanidade pôs na cabeça que da discussão vem o consenso. Creio que é uma premissa falsa: o ser humano funciona como um disjuntor elétrico: ou domina ou é dominado. Não pondera, quer o domínio; principalmente se estiver apoiado em opiniões majoritárias ou que envolvam um problema moral.

Os supostos democratas baseiam-se em dogmas mais fortes do catolicismo que tanto criticam: a democracia é um dogma, o socialismo é um dogma. Por quê? Porque, geralmente, nesses temas, seus defensores não admitem discussão. Na verdade, o que querem é alguém que concorde, que se entusiasme junto ou que discorra sobre problemas técnicos, mas sempre na convergência a um “bem maior”. Isso lá é discussão?

Gastamos tempo e saliva defendendo o que o outro considera indefensável. Qualquer colocação que vá contra alguma noção basilar dos pensamentos majoritários é rechaçada.

Por mais que se defenda um ideal — ou nem mesmo um ideal, quem tem ideais puros hoje? —, chega-se rapidamente à exaustão. É impossível dialogar. Rompem-se amizades por puro proselitismo, cai-se no lado pessoal com argumentos do tipo “você diz isso porque não sabe o que fulanos passam no Nordeste; você diz isso porque não é gay; você isso porque não é negro”. Cansei porque. para mim, essas afirmações dogmáticas não podem ser argumentos, se bem que muita gente assim os considere. Não querem debatedores, querem catecúmenos, seguidores: reizinhos de ocasião.

Fico na parte da filosofia. A filosofia empírica de simplesmente raciocinar sobre algum tema; entrar em confronto com rochas do pensamento não é mais possível, não tenho fé suficiente na Humanidade para crer que valha a pena salvar alguém. Mas sem rancores: sento-me e observo meus coetâneos matarem-se. Com um supremo desprezo; não me dão outra opção.

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5 Comentários

  1. Eis o destino dos bufões, dedo na cara de todos e litros de catarro na cabeça…

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  2. Sérgio F. Mendes

     /  07/09/2011

    Quem é o bufão? Dê nome aos bois, sim?

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  3. Fui direto, amigo… você disse aí em cima quem fica apontando o dedo na cara de todo mundo com desprezo. É este quem recebe como retribuição o mesmo, o desprezo dos outros. São os bufões, muito bem descritos aliás pelo Alexandre Herculano.

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    • Sérgio F. Mendes

       /  08/09/2011

      Perfeito. Sou bufão porque tenho minhas opiniões. É, de fato, é um preço que se paga.

      Responder

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