170. Tarde de ontem

O telefone não toca nunca. O monofone sempre me sorri com desprezo com seus dentes de plástico luminoso. Sento-me no banheiro para as necessidades mais elementares: ele toca. É afanosa a corrida pela ligação que não chega nunca. E se for…? Precariamente chego ao aparelho.

Atendo e perguntam quem é. Mania engraçada que têm as pessoas no interior. Pergunto quem quer falar. A voz de mulher velha responde-me que quer falar com o Jorginho, o das camisetas. Digo-lhe de do lado de cá não há Jorguinho algum. Ela insiste: pergunta qual é o número daqui. Também não sei. Tenho de sair desesperado à cata da agenda que está em algum lugar ignorado. Acho-a depois de quase um minuto e repito o número. De fato, a mulher velha havia telefonado errado.

Tenho vontade de culpá-la pela interrupção do ato fisiológico. Mas que fazer? Desligo, largo a agenda e volto ao banheiro.

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