159. Tudo muda, nada muda

As pedras explodem
e os oceanos se deformam.
Novas terras,
homens novos,
novos povos.
…………

Dona Fulana,
de óculos encavalados,
ainda tem escondidos
suas canetas e carimbos.

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158. No dia de hoje



Entre arritmias,
a alma estala de dor.

Tipos batem no papel,
um cravo no coração.
Jardins secos,
chuva mínima.

Tomateiros em suas escrivaninhas
chancelam velhos destinos:
selo seco em papel reciclado.

157. Passado

É importante quando se quebra o presente. Digo assim porque o presente parece uma sauna, uma sala abafada de consultório médico e que, ali, logo atrás de uma porta de vidro fosco, esconde-se a selva do passado.

É possível até viver sem futuro, mas ignorar o passado não é viver o presente: é boiar nele simplesmente. E o passado tem de ser visto de pince-nez e não com o telescópio Hubble, como fazem alguns; o passado mede-se às libras; quilos são coisas para nós. Se assim não procedemos, caímos na mais subtil grosseria que reina nas academias: a anacronia.