153-bis. Fala o Maestro Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

Referente à postagem 153, “O misterioso caso do hino que não tem música”, recebi um comentário que me deixou lisonjeado. Trata-se da fala do Maestro Sérgio de Vasconcellos-Corrêa, compositor de uma das versões do hino paulista apresentadas naquela postagem. Com suas declarações, não hesito em incluir o Maestro Sérgio entre os grandes vultos desta terra, que tem consciência do que é ser paulista e do que é liberdade.

Com muita propriedade o Maestro recorre a uma citação de Ibrahim de Almeida Nobre, conhecido pelo epíteto de “Tribuno da Revolução”. Leiam:

Li atentamente o seu “O Misterioso caso do hino que não tem música” e venho, por meio deste comentário, cumprimentá-lo pelo desassombro das suas observações.

Não vou entrar no mérito político da questão, pois minha opinião é a de que, como pau-listas, temos absoluta convicção da nossa postura de brasileiros federalistas, que lutamos no passado e o faremos, custe o custar, a qualquer momento, pela defesa da Constituição Nacional. Cabe aos demais brasileiros, por a mão na consciência, deixar de lado os seus bairrismos e trabalhar, como nós trabalhamos, pelo bem da nossa querida Pátria.Sobre o Hino dos Bandeirantes, colaborando com as suas observações informo:

1. O poema do nosso querido Guilherme de Almeida não foi “adotado” pelo Esta-do de São Paulo, ele venceu o “Concurso” instituído para a escolha da “Letra Oficial” do Hino do Estado de São Paulo.

2. O nosso Hino não tem música oficial, pela simples razão de que: Instituído o concurso para a escolha da música oficial – isso poderá ser constatado através do D. O. – a Comissão Julgadora deu parecer contrário alegando – como ouvi de um dos integrantes da referida comissão – que “a letra era longa demais para um hino”. Ora! A letra não estava em julgamento, ela já era a “Letra Oficial por concurso”.

3. Quando o amigo diz: “algo que era relativamente forte até algumas décadas atrás e hoje está totalmente esvaziado”, não posso deixar de relembrar as palavras de Ibrahim Nobre, do alto do Banco do Estado “… a terra pode ser São Paulo, mas o povo não é mais paulista”.

4. Sobre a falta de interesse do Estado em adotar um dos três hinos remanescentes,é um fato incontestável. Já a sugestão de se abrir um novo concurso, não me pa-rece a melhor solução, pois, iria prejudicar os autores que participaram do pri-meiro e que, nesse caso, seriam obrigados a escrever um novo hino, além da a-gravante de que: tanto o Maestro Spartaco Rossi como o Maestro Mozart Kahil, já não se encontram entre nós.

Minha opinião – que pode parecer suspeita – é a de que a melhor solução seria:

a) A gravação dos três Hinos pela banda e coro da Polícia Militar, ou por qual-quer outra corporação musical.

b) Divulgação dos mesmos através de todos os meios de comunicação (Escolas / Rádio / TV / Internet / Apresentações públicas etc…

c) Escolha final pelo público, através de votação, por meio de urnas eletrônicas que impeçam qualquer tipo de manipulação do resultado.

d) Sobre as citadas: “Canção do Expedicionário” e “Marchas consagradas da Revolução Constitucionalista”, não me parece uma boa solução, pelo fato de que, essas canções, que foram compostas com outros objetivos, perten-cem a outros momentos da nossa história e tem como agravante impeditiva o fato de ser o poema de Guilherme de Almeida, a Letra Oficial do Hino dos Bandeirantes.

A vergonha e o amor pela terra, a que o amigo se refere, não devem ser credita-dos aos paulistas como nós e sim, aos falsos paulistas; àqueles que não sabem – ou não querem – nos representar.

Sou Paulista, com muito orgulho.

Paulistano de quatro costados.

Caipira da Penha, sim Senhor.

Um grande abraço do xará Piratiningano,

Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

E aqui, a minha resposta ao Maestro:

Agradeço a leitura e a ilustre visita…

Então, quando digo “adotado”, assim o digo por conta da lei que o institui como hino oficial, ou seja, o resultado do concurso foi feito norma…

De fato, é um pecado que nenhuma das melodias tenha sido escolhida para acompanhar a letra… é fato também que o poema de Guilherme de Almeida é assaz complexa para uma melodia… o verso livre não se adapta bem à monumentalidade que pede um hino… para tal, fosse melhor um texto em decassílabos… mas isso deveria ter sido visto quando da escolha da letra…

Concordo que a questão da escolha deveria ser posta em votação, com ampla divulgação das melodias… se bem que, infelizmente, não conheço a do Maestro Kahil… mas o que esperar de um governo que tem receio de assumir tais posturas? Parece que há uma certa “vergonha” em assumir ser paulista. Lembro-me de um dos discursos do ex-Governador Serra que dizia “os brasileiros de São Paulo”. Tudo bem, é pura verdade, mas por que não usar simplesmente “paulista”, uma vez que brasileiro está subentendido. Além do mais, o migrante ou imigrante que adotou São Paulo como sua terra, é também paulista, uma vez que tal identidade prescinde de documentos… creio eu.

No mais, é assunto polêmico, mas que não pretendo deixar de lado, pois aqui é a minha terra, terra dos meus avós por parte de pai e por escolha dos por parte de mãe.

Um grande abraço,
Sérgio.

Para maiores esclarecimentos, leiam O Misterioso caso do Hino que não tem música.

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