155. Violência

A insistência dos telejornais (e da mídia em geral) com notícias relacionadas à violência é algo que ultrapassa o normal. Claro que não se vive num conto-de-fadas e nem se busca tal coisa, mas fatos relacionados com violência são o grosso no noticiário.

Será que não acontece mais nada digno de nota? Certamente que acontece, mas, como eu já disse algumas outras vezes, desgraça vende. As pessoas têm o gosto mórbido pela violência, o medo prazeiroso, pois, povo inculto que somos, que teríamos para falar à mesa do jantar se não fosse algum assalto ou assassinato?

A violência preenche uma lacuna da sociedade brasileira como um todo. A falta de interesse por conhecimento ou outro tipo de distrações nos tornam telespectadores assíduos do reality show que se tornou a violência para a mídia.

Justamente por ter sido banalizada, todo fato violento é apresentado do mesmo jeito na televisão: são rápidas chamadas ou no máximo mostrando vítima ou alguém chorando. Não só a violência, mas as catástrofes naturais também.

Dias atrás, vi pela televisão o caso da moça que foi amarrada e assassinada num conjunto habitacional de São Carlos, interior do Estado de São Paulo. A moça cuidava de um bebê, seu sobrinho, na casa da cunhada. Foi amarrada e foi assassinada a facadas.

Não vou dizer aqui que há diferenças entre violências, mas sim naturezas diversas que, se nos pormos a pensar, são de enlouquecer.

Imaginemos um latrocínio. O indivíduo rouba e mata. Muito bem: temos um morto e um ladrão. A vítima não ressuscitará por conta do nosso raciocínio, mas esse tipo de crime é da categoria dos compreensíveis (não menos reprovável): teve alguma motivação compreensível, por mais imunda que possa ser. O elemento queria dinheiro para drogas, estava com fome: não importa. Existe um motivo. Ele será julgado e condenado como prevê a lei (em tese).

Agora, peguemos o caso da moça de São Carlos. A moça cuidava de um bebê. Quando o parente chegou, a casa devidamente trancada e, do lado de dentro, o bebê chorava. Arrombada a porta, o bebê chorando, a moça caída numa poça de sangue, sem vida. Nada foi roubado. Isso é incompreensível: a violência por si só, um prazer sádico em tirar a vida alheia, um mero assassino frio.

Repito que o caso 1 – o do latrocínio – não se justifica igualmente, mas existe uma motivação, seja ela dinheiro, bens materiais, drogas. Mas o caso dois encerra uma perversidade ainda maior, imensurável e incompreensível.

Garanto que virão os psicanalistas, psicoterapeutas e outros tantos com mil teorias. Não sei se cobrem o caso. Enquanto ninguém raciocina sobre as diferenças, a mídia continua a nos servir o seu principal prato: mais violência.

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1 comentário

  1. Paulista

     /  21/06/2012

    “Repito que o caso 1 – o do latrocínio – não se justifica igualmente, mas existe uma motivação, seja ela dinheiro, bens materiais, drogas. Mas o caso dois encerra uma perversidade ainda maior, imensurável e incompreensível.”

    E se for ciúme, vingança, algo até maior que envolva sentimentos feridos, do que matar por R$5,00?
    Se ela era amante, morta pela esposa.. coisas assim.

    Neste caso, o crime passional é mais “aceitável” do que o latrocínio.
    (“aceitável” só como força de expressão)

    Ambos absursos, sem duvida.

    Resposta

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