153. O misterioso caso do hino que não tem música

Escrevendo sobre Guilherme de Almeida e tendo em vista de que um de seus poemas foi adotado como hino oficial do Estado de São Paulo, veio-me à mente outro tópico.

Sim, o poema Hino dos Bandeirantes foi adotado pelo Estado de São Paulo através da lei estadual nº 9.854, de 2 de outubro de 1967, sendo Governador Abreu Sobré e ratificado pela lei nº 337, de 10 de julho de 1974, sob o Governo de Laudo Natel.

Perfeito. Escolheu-se um poema de fundo cívico-histórico muito interessante de uma personalidade literária importante da vida intelectual do Estado. Agora um problema grave: o hino não tem música oficial.

Pode parecer a muitos desimportante esse tipo de questão, ainda mais num país com pretensões unitárias sob o véu de um débil federalismo. Mas é questão de identidade regional, algo que era relativamente forte até algumas décadas atrás e hoje está totalmente esvaziado.

Há várias versões musicais do hino. Aqui, a versão de Sérgio de Vasconcellos Corrêa:

Aqui, a versão de Spártaco Rossi:

Parece que ainda há uma terceira versão, que é a do Prof. Mozart Kail, mas não consegui localizá-la.

É sintomático que o Estado de São Paulo não tenha o seu hino: desde o fim da Revolução de 1932 estimulou-se uma “assimilação”, silenciosa e paulatina. Não duvido que inclusive as grandes migrações internas tenham sido estimuladas justamente com esse intuito. São Paulo forte e coeso mostrou assaz perigoso para os interesses unitaristas da classe política brasileira.

Noves fora, também parece que não há interesse do Governo do Estado em fazer algo pela precária situação do símbolo: nem adotar oficialmente uma das três versões existentes, nem promover um novo concurso e nem trocar o símbolo por outro hino. Dois fortes candidatos seriam O passo do Soldado (também com letra de Guilherme de Almeida) ou o Hino Constitucionalista, marchas consagradas pela Revolução Constitucionalista.

Mas parece que memória e amor pela terra são coisas que andam em extrema falta, para nossa vergonha e opróbrio.

Somos Brasil, mas por que nos é negado o direito de sermos Brasil à nossa moda. Afinal, sabe-se muito bem que a ideia de São Paulo é anterior à constituição do Brasil como estado-nação independente. As ditaduras que se sucederam e as tendências de esquerda atualmente no poder sempre tiveram uma velada ojeriza por São Paulo e parecem que seus estratagemas têm funcionado bem até agora: negando o patriotismo, estimulando os regionalismos que lhes são interessantes, ridicularizando o paulista e o ser paulista.

Atualização de 5/1/2017 – Temos ainda a versão do prof. Mozart Kail.

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19 Comentários

  1. Daniel

     /  14/01/2011

    É, Sérgio, parece que sentem um “mau cheiro” quando falam do nosso Estado. Acho que além dos motivos anteriores, há, na atualidade, um medo de perder a boquinha. Qual país tem um Estado da federação que serve de ama de leite para os demais? Em outras democracias, o fardo e o pão são parcialmente divididos em partes equivalentes. Aqui não, São Paulo paga a maioria da conta, trabalha para o sustento dessa súcia que tomou conta de Brasília e ainda é visto como uma elite orgulhosa e que deve ser esmagada.
    Você bem disse, parece ser mesmo intencional. Quem empreendeu esse plano começou certo, roubando a nossa identidade.
    Desconfio que usar uma bandeira de São Paulo na USP poderá ser interpretado como xenofobia (não duvido realmente dessa hipótese).
    É… Pro Brasilia fiant eximia não é recíproco.

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    • Thiago Dias

       /  15/01/2011

      Me parece que os problemas da migração interna e da desigualdade na “cooperação” tributária têm sido atacado frontalmente pelo governo federal. Isto de acordo com o Estadão – orgulho do paulista – conforme link (enlace, ok!) abaixo. Destaque para o seguinte parágrafo:
      “De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as únicas regiões que registraram aumento da geração líquida do emprego formal de 2008 para 2009, no auge da crise, foram a Norte e a Nordeste, com crescimento de 40% e 12%, respectivamente. No mesmo período, o saldo do emprego formal no País recuou 31,5%. No Sudeste, a retração foi de 43,4%.”

      http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp623016,0.php

      Responder
  2. Thiago Dias

     /  15/01/2011

    Caro amigo,
    há algum tempo percebo tua preocupação com a recuperação/manutenção da cultura paulista e concordo contigo em vários pontos. Acho que nossa memória cultural é fraca, que a cultura de belas artes é sub fruída (rola este termo? rs) e etc.
    Mas não posso me furtar a notar que, no teu elogio à cultura paulista, percebo um ar de “por oposição a”, “em resistência a” que julgo desnecessário e até perigoso. Eu não vejo este ar em afirmações da cultura baiana, amazônica (que se esforça, por outro lado, para se afirmar “civilizada”), carioca… Talvez os gaúchos sejam exceção.
    Sendo muito incero, não entendo quando você diz que “não nos deixam ser culturalmente assim ou assado”. Quem é o sujeito desta frase e como ele age? Não me sinto hostilizado por ser paulista(no) e, para ser sincero, nem sei direito o que é “ser” paulista, o que me faz pensar, ao contrário, que nosso “modo de vida” é tão “largamente e profundamente difundido no Brasil”, que tenho dificuldades em identifica-lo e dizer, “isto é paulista”.

    Abraço

    PS: as imigrações internas, creio, tiveram (não ocorrem mais como antes) motivações puramente econômicas e não políticas. Assim, a descentralização econômica e cultural que o atual governo federal pretende fazer é de teu agrado, não?

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    • Sérgio F. Mendes

       /  15/01/2011

      Olá, Thiago.

      Não, não é “ser paulista por oposição a”, é justamente esse tipo de pecha que me incomoda. É simplesmente sê-lo. Talvez não haja esse tipo de preocupação entre outras “nacionalidades históricas” brasileiras justamente pela apatia sócio-cultural em que vivemos. Acho que nós temos direito e dever de recuperar a nossa identidade que foi lentamente desconstruída desde 1932. São Paulo culturalmente forte mostrou-se perigoso para um poder federal centralista como Getúlio Vargas. O primeiro desses passos é políticos: sabemos que existe um teto de representação que está na Constituição, de 70 representantes por Estado. Qual o único prejudicado? O Estado de São Paulo. Outro dia, na TV Senado, um brasilianista inglês (cujo nome agora me foge), dizia não entender que numa democracia que assim se dizia, um único ente da federação, com o maior peso populacional (afinal, a base do poder, tecnicamente, é o povo), era vítima de uma trampa legal dessa magnitude. Segundo cálculos desse especialista, o Estado de São Paulo deveria ter cerca de 114 deputados, e não 70. Isso faz com que um deputado acreano (Estado beneficiado pelo piso mínimo de 8 deputados por Estado) seja eleito com dez vezes menos votos.

      Isso é proposital. Assim como uma política “descomprometida” para com o Nordeste fez com que o fluxo migratório enchesse São Paulo. Cretino eu seria em creditar a culpa às pessoas que migraram: são tão vítimas como os paulistas, mas que isso faz parte de um estratagema que transpassou vários governos após Getúlio Vargas, pode ter uma ponta de certeza aí. O que também não é um fenômeno exclusivamente brasileiro, que fique bem claro. As pessoas não migraram por objetivos políticos, mas creio que as autoridades que assistiram impassíveis a essa migração tinham lá suas motivações antendidas.

      Você e o Daniel (o outro comentarista) estão aí às voltas com questões econômicas. São irrelevantes. Hoje a situação econômica não é das piores. Amanhã a situação pode não estar dessa maneira. A região da capitania de São Paulo ficou quase 300 anos no rabo do mundo: hoje é alguma coisa, economicamente falando. Mas o meu (nosso) problema é cultural. As tradições se perdem, ninguém sabe nada das danças típicas e um sistema débil de ensino ajuda a perpetrar essa situação de ‘fodaseísmo’ cultural. É necessário que o paulista se recupere, que se veja irmão dos outros brasileiros e não seu antagonista. Hoje difunde-se uma ideia de que assumir uma identidade regional é negar a brasileira. No caso do paulista, porque os baianos, pelo que vejo, têm esse zelo pela sua cultura e sua terra sem que sejam hostilizados por isso. Agora, dá a impressão sim de que o paulista é meio que visto como “inimigo” dos outros. Possivelmente são ranços da revolução de 1932.

      Bem, são longas questões, a serem tratadas uma de cada vez, não é?

      Abraço.

      Responder
  3. Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

     /  22/01/2011

    Meu caro Sérgio F. Mendes,

    Li atentamente o seu “O Misterioso caso do hino que não tem música” e venho, por meio deste comentário, cumprimentá-lo pelo desassombro das suas observações.
    Não vou entrar no mérito político da questão, pois minha opinião é a de que, como pau-listas, temos absoluta convicção da nossa postura de brasileiros federalistas, que luta-mos no passado e o faremos, custe o custar, a qualquer momento, pela defesa da Consti-tuição Nacional. Cabe aos demais brasileiros, por a mão na consciência, deixar de lado os seus bairrismos e trabalhar, como nós trabalhamos, pelo bem da nossa querida Pátria.
    Sobre o Hino dos Bandeirantes, colaborando com as suas observações informo:
    1. O poema do nosso querido Guilherme de Almeida não foi “adotado” pelo Esta-do de São Paulo, ele venceu o “Concurso” instituído para a escolha da “Letra Oficial” do Hino do Estado de São Paulo.
    2. O nosso Hino não tem música oficial, pela simples razão de que: Instituído o concurso para a escolha da música oficial – isso poderá ser constatado através do D. O. – a Comissão Julgadora deu parecer contrário alegando – como ouvi de um dos integrantes da referida comissão – que “a letra era longa demais para um hino”. Ora! A letra não estava em julgamento, ela já era a “Letra Oficial por concurso”.
    3. Quando o amigo diz: “algo que era relativamente forte até algumas décadas atrás e hoje está totalmente esvaziado”, não posso deixar de relembrar as pala-vras de Ibrahim Nobre, do alto do Banco do Estado “… a terra pode ser São Paulo, mas o povo não é mais paulista”.
    4. Sobre a falta de interesse do Estado em adotar um dos três hinos remanescentes,
    é um fato incontestável. Já a sugestão de se abrir um novo concurso, não me pa-rece a melhor solução, pois, iria prejudicar os autores que participaram do pri-meiro e que, nesse caso, seriam obrigados a escrever um novo hino, além da a-gravante de que: tanto o Maestro Spartaco Rossi como o Maestro Mozart Kahil, já não se encontram entre nós.
    Minha opinião – que pode parecer suspeita – é a de que a melhor solução seria:
    a) A gravação dos três Hinos pela banda e coro da Polícia Militar, ou por qual-quer outra corporação musical.
    b) Divulgação dos mesmos através de todos os meios de comunicação (Escolas / Rádio / TV / Internet / Apresentações públicas etc…
    c) Escolha final pelo público, através de votação, por meio de urnas eletrônicas que impeçam qualquer tipo de manipulação do resultado.
    d) Sobre as citadas: “Canção do Expedicionário” e “Marchas consagradas da Revolução Constitucionalista”, não me parece uma boa solução, pelo fato de que, essas canções, que foram compostas com outros objetivos, perten-cem a outros momentos da nossa história e tem como agravante impeditiva o fato de ser o poema de Guilherme de Almeida, a Letra Oficial do Hino dos Bandeirantes.

    A vergonha e o amor pela terra, a que o amigo se refere, não devem ser credita-dos aos paulistas como nós e sim, aos falsos paulistas; àqueles que não sabem – ou não querem – nos representar.
    Sou Paulista, com muito orgulho.
    Paulistano de quatro costados.
    Caipira da Penha, sim Senhor.

    Um grande abraço do xará Piratiningano,

    Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

    Responder
    • Sérgio F. Mendes

       /  25/01/2011

      Caro Maestro Sérgio.

      Agradeço a leitura e a ilustre visita…

      Então, quando digo “adotado”, assim o digo por conta da lei que o institui como hino oficial, ou seja, o resultado do concurso foi feito norma…

      De fato, é um pecado que nenhuma das melodias tenha sido escolhida para acompanhar a letra… é fato também que o poema de Guilherme de Almeida é assaz complexa para uma melodia… o verso livre não se adapta bem à monumentalidade que pede um hino… para tal, fosse melhor um texto em decassílabos… mas isso deveria ter sido visto quando da escolha da letra…

      Concordo que a questão da escolha deveria ser posta em votação, com ampla divulgação das melodias… se bem que, infelizmente, não conheço a do Maestro Kahil… mas o que esperar de um governo que tem receio de assumir tais posturas? Parece que há uma certa “vergonha” em assumir ser paulista. Lembro-me de um dos discursos do ex-Governador Serra que dizia “os brasileiros de São Paulo”. Tudo bem, é pura verdade, mas por que não usar simplesmente “paulista”, uma vez que brasileiro está subentendido. Além do mais, o migrante ou imigrante que adotou São Paulo como sua terra, é também paulista, uma vez que tal identidade prescinde de documentos… creio eu.

      No mais, é assunto polêmico, mas que não pretendo deixar de lado, pois aqui é a minha terra, terra dos meus avós por parte de pai e por escolha dos por parte de mãe.

      Um grande abraço,
      Sérgio.

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      • Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

         /  21/05/2013

        Caro Sérgio,
        Volto a comunicar-me com o amigo pelo fato de que, após dois anos da nossa troca de
        E-Mails, nada foi feito com vistas a oficializar a música do Hino do Estado de São Paulo. Desse modo, como já lá se vão trinta e três anos do “Concurso” não realizado, resolvi oferecer ao governo do Estado o meu “Hino dos Bandeirantes” através da “Petição Este Hino para São Paulo”. Se concordar com a minha postura, agradeceria o seu voto, caso contrário, fica o dito pelo não dito.
        Um grande abraço do paulista-paulistano que vos escreve,

      • Mozart Kail, um dos participantes do concurso oficializado para a escolha da música para o poema de Guilherme de Almeida, Hino dos Bandeirantes, NÃO MORREU. Mozart Kail, meu pai, está bem vivo. Convido a todos que entrem no Wikisource ou Wikipedia, em “Hino dos Bandeirantes” e leiam a discussão. Já existe uma apresentação da música de sua autoria, postada aqui na internet. Vou localizar o link e logo mais coloco aqui. Quando da minha última conversa telefônica junto à Secretaria da Cultura, cobrando uma publicação oficia sobre a não escolha de nenhuma das melodias inscritas,não me recordo o nome de quem me atendeu, mas foi muito enfático ao me dizer que, com certeza, o meu pai saberia o motivo, assim como todos os outros haviam sido informados e, que essa não escolha, devia-se ao fato de não ter havido dentre as melodias, nenhuma a altura do poema. Diante disso, não mais entrei em contato com aquela Secretaria e só o fiz porque na época, no site Oficial do Governo do Estado de São Paulo constava o nome de Guilherme de Almeida como sendo o autor do poema, o que é fato e, também constava, o nome de um Maestro, como sendo o autor da melodia, sem que houvesse ao lado desse, a menção “música NÃO OFICIAL”. Achei um absurdo a postura daquela pessoa em dizer que as músicas não estavam a altura do poema, pois acredito que todos os que participaram do concurso, fizeram-no por terem competência para tal, haja vista serem alguns, Maestros. Podem as melodias não terem agradado aos jurados, mas jamais pelo motivo que aquela pessoa que me atendeu colocou.. Já ouvi algumas que encontrei aqui na internet e posso afirmar que são todas louváveis.
        Sou Mônica Farias Kail, filha do Prof Mozart Kail, um dos autores do Hino do Centenário de Botucatu, aonde o meu avô o Maestro Salim Kahil (note q meu pai fora registrado sem o “h” do Kahil), foi celebridade. Meu pai ganhou um concurso musical na Cidade de São Vicente, litoral de SP. Músico profissional, tocava trombone de vara e era músico solista nas grandes orquestras. Fazia arranjos e é autor de algumas músicas também. Professor aposentado, foi Diretor de Escola do Estado, aposentou-se quando Assistente de Diretor na Delegacia de Ensino. Autor de várias peças de teatro, sempre incentivou a arte dentre seus alunos. Todos os anos, enquanto Diretor, Ensaiava seus alunos para se apresentarem com peças de sua autoria, quando de suas formaturas, para os pais, Ensaiava seus corais, regia suas fanfarras. Participou do Concurso para musicar o Hino dos Bandeirantes, a convite, se não me engano de um maestro cujo nome não me vem à mente no momento.. Esse senhor, pediu, assim que o meu pai finalizou a música, uma cópia e assim o meu pai o fez. Ele gostou muito e pediu que meu pai a inscrevesse. Meu pai até pouco tempo atrás, escrevia e ensaiava peças teatrais junto ao Centro do Professorado Paulista e junto à um Clube na Baixada Santista (em São Vicente). Já há alguns anos longe desses, dedica-se única e exclusivamente a cuidar de minha mãe, sua doce amada, que encontra-se debilitada.
        Infelizmente, por falta de recursos, não conseguiu colocar sua música à mostra. Tenho um CD gravado mas tem um erro. A pessoa que fez a gravação, repetiu um pedaço. Imagine que a letra q já não é pequena, ainda repetida. Não sei como isso foi acontecer e por esta razão, não foi colocada à disposição na internet.
        Mônica

      • Mônica, fico feliz ao saber que seu pai está vivinho da silva. Desculpe a gafe, mas foi a informação que me deram. Sobre o fato de aparecer na internet que o meu hino é o Oficial, não me cabe culpa alguma, pois foi um ex-aluno que fez a postagem e inventou essa história. A informação que lhe deram na Secretaria é totalmente falsa. Na época do concurso, como não saia o resultado do mesmo, após assistir a um concerto do Maestro Eleazar de Carvalho – que era membro da comissão julgadora – ao ir ao camarim para solicitar o seu autógrafo (veja, eu não era nem seu aluno, nem seu amigo e nem seu seu assistente, o que veio a acontecer mais de trinta anos depois) aproveitei para lhe perguntar se ele sabia o resultado do concurso. A resposta que ouvi foi : que a comissão tinha resolvido não atribuir nenhum prêmio pelo fato da letra (Oficial) não se prestar para a composição de nenhum hino. O resultado nunca foi publicado – eu pelo menos não o encontrei em nenhum D.O. A pessoa que lhe deu a informação deveria dar a data do D.O. em que o resultado foi publicado. A sua contestação, foi perfeitamente válida, apenas não gostei da solicitação que fez para que o meu hino fosse retirado da internet, mas isso são águas passadas. Na petição que fiz, levei em conta que: depois de trinta e três anos, como apenas o meu hino e o do Spártaco Rossi estavam sendo divulgados eu propunha o meu para ser oficializado. Acontece que depois disso, vários compositores surgiram dizendo que também tinham participado, só que nenhum deles apresentou a “Ficha de Inscrição” com o respectivo pseudônimo. Eu acho que, aqueles que realmente participaram do concurso de origem, tem o direito a que seja feito um novo concurso, desde que apresentem a referida ficha de inscrição. Não julgo viável abrir esse novo concurso para novos candidatos,. pois nesse caso, eu e o Maestro Spártaco Rossi seriamos prejudicados e não poderíamos participar, pois, os nossos hinos não são mais inéditos. O certo seria a Banda da Polícia Militar gravar todos os hinos e apresentá-los publicamente, deixando o povo escolher, pelo voto, aquele que lhe agradasse. Bem, é isso. Mando o meu abraço cordial a seu pai na esperança de poder conhece-lo em breve, pois moro no Guarujá, que não fica tão longe, e a você meus cumprimentos e votos de um feliz 2014. Cordialmente, Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

      • Prazer em reencontrá-lo Maestro Sergio Vasconcellos. Gostaria de esclarecer que jamais pedi a retirada de sua composição da internet. Pedi sim, que aqueles que a estavam divulgando, deixasse bem claro que a sua composição não era oficial. Quando pedi que retirassem do site do Governo do Estado, baseei-me no seguinte: O site do Governo do Estado deve apresentar tão somente o que é OFICIAL e, também solicitei que retirassem do site vosso nome como sendo o autor da melodia OU fizessem constar “Música NÃO OFICIAL de autoria de…”
        Entendo que em um site oficial do Governo, é referência, inclusive, para pesquisas estudantis e levaria os estudantes e à todos que ali fossem buscar informações a absorverem-nas erradamente, ou meio erradas pq na verdade, a gravação que ali colocaram à disposição dos internautas era realmente de sua autoria e portanto correta, mas errada do ponto de vista de não ser sua composição, a oficial, o que muito feiquei admirada de um site governamental, oficial, não atentarem ao detalhe de suma importância, levando a todos ao engano, SALVO se ali estivesse constando: “música NÃO OFICIAL de autoria do Maestro Sergio Vasconcellos-Corrêa”. Aí sim.
        Acho, que minha contribuição foi perfeita até para o senhor que, à princípio, me interpretou erradamente pois veja, jamais quis prejudicá-lo mas, sim, elucidar para todos, o erro que ao meu ver foi absurdo por parte da Secretaria da Cultura que não atentou a esse detalhe referente aos símbolos paulistas.
        O aluno ao qual o senhor se refere, não poderia jamais ter usado o seu nome dessa forma, e muito me admira ter tido acesso ao site do Governo do nosso Estado a ponto de conseguir introduzir o seu respeitado nome em um site oficial. Mas enfim, acho que esse assunto já está resolvido e já superado.
        Quanto à informação de não haver melodia à altura, quem me disse foi uma pessoa que, importunada pelo fato de eu estar a cobrar um resultado oficialmente, cobrar quem fez parte da comissão julgadora além de cobrar como que uma Secretaria deixa uma informação não oficial constar em seu site… Enfim, essa pessoa, um senhor que no momento não me recordo o nome, irritado demais disse que essas informações eram devidas apenas aos participantes e se meu pai fora um dos inscritos deveria sabê-lo… mas interrompi perguntando se havia sido publicado oficialmente que não escolheram nenhuma melodia e se não o fizeram, eu como cidadã paulista, tinha o direito de saber sim.. Evidente que falei em tom educado mas que de meu direito. Lógico que não gostou e talvez por essa razão tenha dito essa digamos, asneira.
        Sim, asneira, porque não posso admitir que pessoas como o senhor Maestro Vasconcellos, o maestro Spartaco Rossi, o meu pai e todos os que participaram do concurso, tenham sido tidos pela comissão, conforme me havia sido dito, como incompetentes. Sim pq se aludiu à vocês todos como autores de melodias não a altura, consideraram vocês incompetentes e isso eu não poderia aceitar, principalmente porque sabia, pelo menos um, o meu pai, já que as inscrições foram por pseudônimos, extremamente capaz.
        Considerei o fato de que quem se inscreveu, não seria um qualquer e tão desmerecedor, e desqualificado para ouvir que suas composições não estavam à altura dos versos de Guilherme de Almeida. Muito pelo contrário, embora os versos sejam belíssimos, a sua metria dificulta a musicalização e quem conseguiu compor, certamente foi extremamente competente, como é o seu caso, o do maestro Spartaco e o do meu pai e de outros que eu pelo menos, desconheço.
        Acho que não deram aos artistas que são vocês, o devido valor.
        Espero que tenha entendido o meu posicionamento e o detalhe “música não oficial”, que não pode deixar de constar em lugar algum onde as composições feitas para o poema “Hino dos Bandeirantes” estejam à disposição de todos para que sejam ouvidas.
        Como o senhor mesmo disse, o Concurso fora aberto há mais de 33 anos e, portanto, decorrido tantos anos, muitos podem não ter mais as inscrições. Aliás, pelo que soube, as inscrições podiam ser feitas pelo correio, ou seja, o material podia ser enviado para o local da inscrição e assim sendo, não teriam como ter nenhum comprovante de inscrição. Pelo que sei, as composições eram apenas entregues pq cada um saberia seu pseudônimo.
        Depois da inscrição que meu pai fez, encontrou com o Dr.Otávio Mamede, já falecido, na época Diretor da Casa Guilherme de Almeida e à quem a viúva desse nosso grande poeta, conferiu todos os Direitos Autorais para que junto aos órgãos governamentais concedesse seu poema, escrito especialmente para se tornar o Hino do Estado de São Paulo. O Dr.Mamede sabendo ser meu pai um dos inscritos, pediu a ele a gravação de sua composição e meu pai lhe entregou.
        De acordo com o Dr.Mamede, a primeira composição inscrita fora a de autoria do Maestro Spartaco Rossi,
        O Dr.Mamede procurou depois meu pai, dizendo ser sua composição perfeita, tal qual o poeta seu grande amigo, Guilherme de Almeida, assim desejava fosse e à ele dizia querer, uma melodia sem quebras. Referiu-se a ela, a composição do meu pai, como a melodia perfeita, mas, como mortos não falam… fica aqui apenas a citação do relato do senhor meu pai que inclusive disse ter havido uma discussão entre o Dr.Mamede e um senhor Deputado, um dos organizadores do Concurso, que queria a música do maestro Spartaco Rossi como a eleita mas, não houve acordo e, assim, nenhuma fora escolhida.
        Revogado o artigo 3º da Lei nº 9.854, de 2 de outubro de 1967, que dispõe sobre a instituição do Hino Oficial do Estado de São Paulo e através da Lei 337 de 10/06/1974 o Hino dos Bandeirantes, poema de autoria de Guilherme de Almeida, o Príncipe dos Poetas,foi instituído como Hino Oficial deste Estado. 240 Poetas inscritos, conforme encontrei em uma página do DO, de 12/06/74 relatado à pág 77, para a escolha da Letra..
        Achei a sua proposta maestro Sergio Vasconcellos, que sugere a gravação das composições inscritas, mas não somente das 3, as do senhor, do maestro Spartaco e a do meu pai, para serem apresentadas à população do nosso Estado e a escolha então, feita por votação. Perfeito.
        Maestro Sergio Vasconcellos, foi um prazer enorme reencontrá-lo, agora com ânimos mais tranquilos já que esclarecidos todos os poréns e que continuemos sempre assim nesta mais perfeita harmonia, batalhando pela oficialização da melodia para o poema Hino dos Bandeirantes. Que vença então a que mais agradar ao nosso querido povo Paulista.
        Um forte abraço e vamos à luta… de mãos dadas…rsrsrsrsrs

      • Mônica, esteja certa de que não guardo qualquer ressentimento. Devo esclarecer que o meu ex-aluno que postou o meu hino na internet nada teve a ver com o site oficial do Estado, ele apenas errou ao colocar na postagem que o meu hino era o oficial, agora como ele foi parar no site do governo também para mim é uma incógnita. Sobre a inscrição, sei, com certeza, que deveria ser feita na própria Secretaria de Cultura e eles entregavam um comprovante de inscrição que continha apenas o número de inscrição e o pseudônimo do autor. Guardo o meu até hoje. Bem, acho que você já deve ter percebido que não me move nenhum sentimento que não seja justo e perfeito. O Grande Arquiteto do Universo saberá como resolver essa questão. Um abraço cordial para você e para o seu pai, meu colega na música e no magistério. Somos dois homens que a vida inteira trabalhamos com muitas notas, infelizmente, todas falsas. As que valem mesmo são as NOTA$$$$$$.

  4. Pedro Manoel Cordeiro

     /  17/07/2011

    Temos duas versôes para a música. Em ambas faltou mencionar o interprete.

    Responder
    • Sr.Pedro Cordeiro, as duas que conheço circulando pela internet são, uma do Maestro Sergio Vasconcelos e outra do Maestro Spartaco Rossi. Mas existe ainda uma terceira, a do maestro Mozart Kail, meu pai, um dos também participantes do concurso não conclusivo, citado no link abaixo mas sem a execução: http://www.sociedademmdc.com.br/2010/07/curiosidades-hino-dos-bandeirantes.html

      Responder
      • Monica Kail

         /  29/05/2015

        Corrigindo acima onde citei maestro Mozart Kail, o correto é prof. Mozart Kail. O meu pai não é maestro. É músico profissional e professor tão somente.

      • Mônica Farias Kail

         /  29/05/2015

        Prezado Sr.Pedro Cordeiro, o link que passei acima, não tem mais a música de autoria do meu pai, o Prof.Mozart Kail, apenas citam-no.
        Então, aproveitando, deixo aqui o link com a composição de autoria do meu pai para vossa apreciação, bem como a de todos.

        Nota: A música “Hino dos Bandeirantes” com música do Prof.Mozart Kail, apresentada nesse link, foi gravada pela Banda Sinfônica Jovem sob a Regência cedida, gentilmente, ao meu pai, embora não seja maestro.

  5. Sérgio

     /  31/07/2011

    O Hino dos Bandeirantes com música de Sérgio de Vasconcellos-Corrêa foi gravado pelo coro e Banda Sinfônica do Conservatório de Tatui sob a regência do Mto. Dario Sotelo

    Responder
  6. Mônica Farias Kail

     /  28/09/2013

    Mozart Kail, um dos participantes do concurso oficializado para a escolha da música para o poema de Guilherme de Almeida, Hino dos Bandeirantes, NÃO MORREU. Mozart Kail, meu pai, está bem vivo. Convido a todos que entrem no Wikisource ou Wikipedia, em “Hino dos Bandeirantes” e leiam a discussão. Já existe uma apresentação da música de sua autoria, postada aqui na internet. Vou localizar o link e logo mais coloco aqui. Quando da minha última conversa telefônica junto à Secretaria da Cultura, cobrando uma publicação oficia sobre a não escolha de nenhuma das melodias inscritas,não me recordo o nome de quem me atendeu, mas foi muito enfático ao me dizer que, com certeza, o meu pai saberia o motivo, assim como todos os outros haviam sido informados e, que essa não escolha, devia-se ao fato de não ter havido dentre as melodias, nenhuma a altura do poema. Diante disso, não mais entrei em contato com aquela Secretaria e só o fiz porque na época, no site Oficial do Governo do Estado de São Paulo constava o nome de Guilherme de Almeida como sendo o autor do poema, o que é fato e, também constava, o nome de um Maestro, como sendo o autor da melodia, sem que houvesse ao lado desse, a menção “música NÃO OFICIAL”. Achei um absurdo a postura daquela pessoa em dizer que as músicas não estavam a altura do poema, pois acredito que todos os que participaram do concurso, fizeram-no por terem competência para tal, haja vista serem alguns, Maestros. Podem as melodias não terem agradado aos jurados, mas jamais pelo motivo que aquela pessoa que me atendeu colocou.. Já ouvi algumas que encontrei aqui na internet e posso afirmar que são todas louváveis.

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  7. Monica Kail

     /  02/06/2015

    Segue mais abaixo a composição do prof.Mozart Kail.

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  8. Ótimo artigo, que merece aplausos também por possibilitar o acesso às três versões do hino “sem música”.
    Também considero belíssimo o poema de Guilherme de Almeida, mas na minha opinião não serve como letra de um hino, por ser muito longo e não parecer adequado a essa finalidade.
    O Hino do Rio Grande do Sul, por exemplo, ainda que se lhe devolva a estrofe “amputada” em 1966, é curto e de fácil memorização; diga-se o mesmo do Hino do Pará.
    Creio que o mais adequado a fazer seria a criação de nova comissão para a escolha de novo hino, com outro poema.
    Um abraço!

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