144. Paulo Freire e Monty Python

Paulo Freire. Amado por uns, odiado por muitos. Idealizador de uma pedagogia que prevê a libertação do oprimido pelos comportamentos de ação educativa de ordem esquerdoide; por ingenuidade ou cumplicidade, cria que na esquerda estava a salvação da educação e, por conseguinte, a do homem também. Isso fica nítido pela caracterização dos opressores como sendo de direita; não inventei, está lá no Pedagogia do Oprimido, em algum ponto de suas primeiras sessenta páginas.

Mas agora, meu objetivo não é falar da pedagogia do oprimido, do deprimido ou do comprimido, mas sim da junção que me meio à mente: Paulo Freire e Monty Python.

“Como se os homens fossem uma presa do mundo e este um eterno caçador daqueles, que tivesse por distração “enchê-los” de pedaços seus.”. Paulo Freire em “Pedagogia do Oprimido”, p. 72

Tendo em conta tudo o que pode significar a frase acima, segue-se então um deslumbrante…

Roteiro para peça televisiva.

Em cena, uma paisagem de mata fechada bem aproximada. A câmera deve mover-se lentamente da direita para a esquerda, mostrando bem as plantas, arbustos, cipós e troncos de árvores. Barulho de insetos e pássaros ao fundo.

A câmera fixa-se em um ponto e aproxima-se. Por detrás de u’a moita, surge algo redondo e azul… é o Mundo. A câmera acompanha-o enquanto ele transita por detrás das moitas fazendo rumor por entre as folhas. O Mundo tem braços e pernas azuis e um rosto bem no meio do Atlântico.

Ouve-se um rumor de vozes. O Mundo para e abaixa-se atrás das moitas. A câmera corta para outra cena. Um grupo de operários, vestidos como tal, parados, de costas uns para os outros – formando um círculo – balbucia, geme e baba. O Mundo está atrás das moitas e vem agachado, aproximando-se. A câmera focaliza os rostos dos operários, com a barba por fazer, suados e fazendo caretas bobas, emitindo balbucios: “mé, mé, mé… brrrrrr!”.

De súbito, o Mundo sai de trás das moitas. Os operários dispersam o círculo e vários saem do raio de visão da câmera, porém o Mundo consegue pegar um, jogando-se sobre ele. O operário debate-se no chão. O foco de visão agora é coberto por arbustos que se agitam e somente se vê parte da circunferência do Mundo.

O Mundo sai por um lado, sem parte de seu corpo, com um buraco no globo. Instantes depois, sai o operário com uma corcunda e andando como um corcunda.

Fim.

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