120. Histórias e Histórias

Deparo-me com um livro de História que se atém excessivamente à História Burocrática, ou seja, de como funcionavam as instituições do Brasil Colônia maiormente aplicadas às desacreditadas capitanias sulinas, com ênfase especial nas de Santo Amaro e de São Vicente.

Li-o superficialmente, atrás de subsídios dos meus estudos. Será excelente para saber o exato funcionamento da engrenagem burocrática na América Portuguesa: a questão das Relações, do Governo Geral, das Câmaras e Concelhos. Porém, pobre na questão da História ‘humana’ do período.

A História vista como ‘ciência’ (minhas aspas) e influenciada algo pela crítica marxista (sem referências, ainda estou no campo do mero achismo empírico), desconstrói a História humana, substituindo-a por uma ‘História da Burocracia’; uma, porque não há fontes documentais suficientes. Creio insuficiente tais afirmações: a partir do estudo das Atas da Câmara de São Paulo e dos inventários, foi possível a Belmonte e a Alcântara Machado reconstruir parte da História em dois grandes livros, que considero magnos em seu campo. A celeuma vem da História pretensamente científica que deve considerar tais obras como ‘diversões de diletantes’ ou como representantes da ‘historiografia tradicional paulista’, terminologia tida como pejorativa e que causa certa apreensão nas Academias.

Com que direito se descontroem os heróis de um povo? E põe-se no lugar o vulto borrado do ‘povo’, essa invenção da historiografia marxista. Tudo se faz em detrimento dos vultos históricos. Que um general era troglodita ou batia na esposa. O que importa tal comportamento não influenciou em fatos que confluiram para uma glória da nacionalidade? Nada. De nada vale a vida pessoal que não tenha relação com um todo.

O dito livro, do qual ainda me exmino de dizer nome e título, mas é um livro de acadêmicos, no seu afã burocratista, exime-se de citar os fatos que mudaram os destinos da nossa então capitania. Amador Bueno é citado em uma linha, num exemplo dado acerca do funcionamento da Câmara Municipal. Uma história apática e sem vultos, burocrática.

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1 comentário

  1. Concordo plenamente com este sério problema da historiografia marxista, que tira os grandes personagens modificadores da história da frente em nome da afirmação de um povo sem rosto nem indivíduos. Mas devemos ser razoáveis, ao ver, p. ex., um Hobsbawn, que muitos outros fatos puderam ser contados apenas depois dessa desconstrução. Um livro e um defeito não retiram os méritos de uma concepção metodológica, não se destrói, apenas se desconstrói e se corrige.

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