110. X

O regato murmurou-me uma tarde
quando eu passeava antes do anoitecer:
“Aqueronte quisera eu tanto ser,
mas nunca aqueloutro que de sangue arde.

A porta, o tricéfalo cão que a guarde:
as almas não quero ver perecer,
mas levá-las tolhidas de prazer;
alguém, que não Parcas, o fardo carde”.

Respondo-lhe: “Ah, regato pretensioso!
Ancho pouco mais que passada larga,
fundo um dedo e de leito pedregoso:

mal reges de peixe e seixo a carga
e ainda pedes fardo trabalhoso
que lhe faria a doce vida amarga”.

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