109. XIV

XIV

Se tece no ar a renda de ruídos:
animas noturnos e benfazejos.
Mato agitado por ventos andejos,
nada dos antigos martírios tidos.

Pia o grilo em evangelhos não lidos
e não há cruz para cobrir de beijos.
Remoo do almoço o gosto dos badejos
e está Cristo com os cravos caídos.

A chuva limpa as cruzes vazias.
As galinhas, reparadas da chuva,
ignoram sábados e traidores.

Tudo se imerge em chã melancolia;
sem lua, as nuvens são qual grande luva
e a Sexta se vai, entre estertores.

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1 comentário

  1. jeff

     /  05/04/2010

    Poesia discursiva/intelectual; interessante.

    Responder

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