101. VIII

VIII

De agouros e fados não se opina:
já basta de Laocoonte a lembrança
das cobras que lhe tolheram a chibança
e aos filhos seus com sanha assassina.

Quanto a mim, ministro-me borbotina
para evitar que em alguma folgança
venham vermes para esvaziar-me a pujança.
Deixo os fados a quem os vaticina.

A vida, por sua mão e seu fio
desenha certeira os vitais caminhos:
faena própria do fiandeiro trio.

Não me queria sucessos daninhos,
mas estoico aceito este seu ardil,
seja ele de carris largos ou mesquinhos.

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1 comentário

  1. jeff

     /  08/02/2010

    Não questiono seu domínio da língua, nem mesmo sua inventividade verbal, ambos perfeitos.
    Faço apenas uma ressalva: alguns toques de uma oralidade ágil e certeira não fariam mal, ainda mais em se tratando de um escritor como você, tão atento aos fatos de linguagem.

    Responder

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