99. Cancioneiro da Navarra (I)

Exórdio

Invoco ora as pirenaicas musas
porque já me proponho a grande faina:
o marceneiro, a poética plaina
sou; livrai-me das palavras confusas
pois não quero deixar mal-entendidos,
e quero meus leitores entretidos
com inúmeras façanhas abstrusas.

Que não me falte o divinho engenho
que vomitórios já tenho comigo
e purgantes brevemente consigo
para expelir esta história que cá tenho.
Eia, sus! Avante, fiel amigo!
Há muito que contar do sujo umbigo
de tantos nobres da face de lenho.

Ai de ti, minha Navarra sofrida!
Se ainda tens algo belo a admirar
é que os duques, em sono salutar
têm a avidez também adormecida.
Ora, só resta às províncias implorar
que não venha algum tributo exemplar
para roer a renda já roída.

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