97. Velharias

I

Na cama, ouço a urbe que cochila,
ouço as folhas batidas pelo vento.
Longe, trina o último metrô, lento;
um bói sob a luz dos postes desfila.

As velhas portas quisera eu abri-las;
o ar noviço pelo breu violento:
preamar do escuro mar marulhento
a inundar de vazio bairros e vilas.

Até que saia o sol, jaz a cidade.
Sirenes e rãs, o som de tal morte
fátua e efêmera da necessidade.

A escuridão, assumindo esse porte,
a carregar-me, sua veleidade
e entrega-me a devaneios sem norte.

(XII-2007)

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1 comentário

  1. jeff

     /  26/01/2010

    Belo soneto; exemplo de fôlego e espírito poético.

    Responder

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