86. No columbário

É um horror morar com os pombos. Dentro da torre cônica há uma boa dezena de puleiros acima da minha cabeça. São centenas de pombos cinzentos. Eles arrulham a noite toda, um ronco insuportável. E em cada pesadelo penoso, lançam cada uma chuva branca sobre mim e as minhas coisas, arrumadas logo abaixo. Tudo está coberto por guano: os livros, o despertador; as penas colam-se a tudo. Não adianta berrar com eles; esvoaçam e cagam; fogem e imediatamente estão de volta. Mas de dia, eles me levam para o trabalho voando, segurando-me pelo casaco; e eu trabalho junto dos urubus.

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