85. Osso do olho

Quando eu era criança, achava que tínhamos um osso dentro dos olhos. A ideia parecia natural, pois eu não via sentido na íris boiando sem lastro no vazio branco do corpúsculo mole. Era um osso cilíndrico, cujas pontas estavam na íris (que, àquela época, eu identificava com a mica que havia nos poucos terrenos baldios que existiam) e lá trás, na junção com o cérebro, e era esse osso que mantinha o formato de esfera e sustinha os olhos dentro das suas órbitas, impedindo que caíssem. A própria íris era a ponta desse osso, que era aerado e não maciço. O osso consistia em uma parede externa, fina, cujo diâmetro era o dá própria íris; outro cilíndro existia por dentro, no centro do osso, esse sim, maciço, do diâmetro da pupila. Tampouco eu sabia àquela época que a pupila oscila de acordo com a luminosidade do ambiente. Por dentro, ligavam os dois cilindros várias lâminas ósseas que começavam no miolo maciço e fundiam-se na carapaça, no lado interno da carapaça cilíndrica. Quando seco, olhado de frente, o osso pareceria uma turbina de avião e era nos compartimentos formados por essa estritura óssea que ficava o pigmento dos olhos. Feito com um pouco de mica, claro.

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