79. Parada (desfile cívico-militar)

A cidade comemora alguma glória passada. Foi aqui, ou melhor, lá, do outro lado, que um príncipe português fez desta colônia o país que somos. Passam gendarmes e blindados, as esteiras de ferro vão maltratando o asfalto. Sempre há poucos expectadores, menos ainda quando chove, porque se desfazem as bandeiras. Roupas sujas de verde e amarelo. Passam as tropas, os soldados, a síncope das marchas melancolicamente mal tocadas, o povo vai para casa contente porque suas crianças viram um tanque. “Mãe, quero ser soldado”. O papel das bandeirolas começa a se desfazer na calçada, sob os pés e sob a água da chuva. No ano que vem tem mais.

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