78. Os bairros novos

Existia somente um núcleo, uma acrópole. Muito tempo assim ficou, alimentando-se o barro ao redor, dos dois rios e orgânica como um cupinzeiro. Séculos de barro e canas; tempos de taipa. De súbido, a cidade precisou expandir-se e abriu ruas e deu concreto para as bordas. Os velhos subúrbios pantanosos, drenados, viraram extensão da própria acrópole, a sanha por terrenos, casas, prédios não terminava e a cidade foi se esticando e, como todo material frágil, foi se partindo. Eis os bairros novos. Regiões que há cinquenta anos não tinham nada além de árvores, cipós e lama, hoje estão cobertos de telhas, grades e lama. As microcidades que são os bairros estão separadas da Cidade por distâncias quase intransponíveis, vencidas por ônibus barulhentos em ruas selenitas. E o povo dessas pontas só consegue sobreviver, sem mais tempo para nada. Tudo o que não é ligado à sobrevivência é futilidades; por essas bandas, as almas são rasas pela necessidade e pela aspereza da própria urbe.

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