77. Exilados

Os rios deslizam às escondidas, na escuridão. Ninguém na cidade gosta de vê-los, porque é o sinal de que a cidade vai mal, suja. Os rios entroncam-se em terras de ninguém, em espaços isolados e ermos entre avenidas e linhas de trem, correm na direção do declive e juntam-se. Quando o céu conjura nuvens e se faz plúmbeo, as águas subterrâneas planejam vingança. E misturadas com a dos céus, as águas da hidrografia desconhecida ergue-se e vem retomar as várzeas. Tamandateí, Tietê, Aricanduva. Nomes ignorados por aqueles que passam de carro às suas margens; eles vêm se fazer ver.

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