70. Ístria e Quarnerolo

Esqueci-me de enxaguar a boca com o desinfetante bucal. Acabei tomando só o café com leite; esqueci o bolo na geladeira. Tudo por causa de um morto, um morto há muito morto e que nem era destas paragens. De novo Tuone Udaina me aparece nos pensamentos difusos: reclama pelo conto sobre si que comecei a escrever e nunca terminei, nunca passando de Bartoli. Veio-me de manhã à cabeça o homem velho, decrépito, sacristão e barbeiro que, no fim da vida, quando Bartoli o conheceu, babava em quatro línguas pela sua boca sem dentes. Inclusive uma língua que morreu consigo e tem um nome vagamente canino: dálmata. É por ele que se pôde coletar as últimas informações sobre o dálmata, Bartoli fez sua monografia na Academia de Viena com base nos dados do velho barbeiro desdentado. Udaina, como todo vivente, morreu; morreu com a explosão de u’a mina instalada por um anarquista. Perderam-se o dálmata, o meu café da manhã e o enxágue dos meus dentes.

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