68. A colina vista do noroeste imediato

A colina é uma formação suave, encravada à beira dum riacho cujo curso molda. Sem grandes ladeiras; aclives suaves. Mas alta o suficiente para que se pudesse observar toda a várzea num voo. Isso, sem contar a velha várzea do outro lado, um rio de mosaico português. A própria colina mal se vê: prédios escarpados, de pequena monta e sujos amotoam-se; na quebra entre eles, decrépitos casarões neoclássicos. Daqui, só se veem suas cumeeiras e oitões, os prédios brutos de garagem dominam tudo, inclusive um que há trinta anos espera ser completado, expondo sua caveira de concreto mal ajambrada por tijolos encardidos. Em meio a tantos gritos de concreto mal desenformado, boia o domo da catedral e suas torres a pedir clemência. Um grito fino de fé azinhavrada.

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1 comentário

  1. Mandy

     /  25/08/2009

    Isso é uma coisa portuguesa, com certeza. Ou pelo menos tem cara de.

    Responder

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