67. Na várzea do Glicério

e7343_glicerio_rua_lavapesA decadência instalou-se em algumas ruas e parece que desde sempre o local foi sujo e perigoso. Reboque de décadas despencando, estuques e frisos à grega soltando-se do tijolo cru sob o peso dos anos e da fuligem dos combustíveis.
Faz muito que não passo pela várzea do Glicério, mas dava a impressão que aquelas ruínas habitadas tinham convivido com o Foro romano ou que tinham aclamado Dom Pedro quando ele voltou triunfante do Ipiranga. Frisos cheios de datas, o rocambolesco neoclássico da imigração italiana. Ao contrário: àquele tempo da Independência, tratava-se somente dum charco cheio de taboas, um braço do Tamanduateí onde pescavam os ribeirinhos e lavava-se a roupa. A decadência ainda não pensava em instalar-se por aquelas paragens.

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