66. Liberdade

Ela e a amiga chegaram no alto da montanha, onde somente havia a cabana que as aguardava e mata. Aos pés da montanha, via-se a cidade à qual, burocraticamente, a cabana se ligava. Mal puseram as malas à porta da cabana, a mais velha (tinham pouca diferença) olhou a longamente a larga planície que se extendia imediatamente após a cidade e, com tom jocoso, repetiu: “C’est jolie la liberté, n’est-ce pas?”. A mais nova, numa pedra mais abaixo do patamar onde estava a outra, retrucou: “Mas quem foi que te disse que aqui está a liberdade? Saimos da nossa prisão por um tempo, mas a nossa liberdade é a prisão dos outros. Só somos livres quando estamos na prisão dos outros”. Entreolharam-se. Entraram na cabana e, mudas, fizeram macarrão instantâneo.

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