64. Cidade orgânica

Apesar de pegar metrô todos os dias na estação de Artur Alvim, dificilmente passo para o outro lado da linha. Explico-me ao leitor de fora da cidade ou que não conhece a zona Leste: a linha do metrô, paralela com aquela da CPTM, é aberta, ou seja, é metrô de superfície e, para atravessá-la, somente usando de pontes, passarelas ou pelas próprias estações de metrô que fazem o papel. A estação de Artur Alvim ajuda a ligar as duas partes do bairro divididas pela linha, uma ao norte e uma ao sul; quem vem de um dos lados, dificilmente tem o que cheirar do outro, pois entra no metrô e vai direto para o centro.

Tenho um amigo que mora do outro lado e, quando vou visitá-lo, passo pela parte norte da estação. É fácil saber de que lugar se fala. Se você estiver no metrô, sentido Corinthians-Itaquera, nas proximidades da estação de Artur Alvim a qual vou fazer menção está à esquerda, em oposição à elevação ocupada pelos prédios do Conjunto Habitacional.

Aconteceu-me de hoje, tomar uma carona oferecida por uma amiga: “Pego você na Águia de Haia”.Depois de muito tempo sem ali estar, desembarco na estação, mas, em vez de ir tomar o metrô, atravesso passarelas e mezanino e saio do lado norte. Ali é bem diferente do lado sul: há um terminal de ônibus e as coisas têm um aspecto largado. E sim, o ápice, algo novo, muito novo e muito grande na paisagem: um viaduto.

Viadutos não surgem, obviamente do nada mas eu não me lembro de tê-lo visto ser erguido, montado, de ter visto seu exoesqueleto de madeira que lhe daria a forma final. Nada. Por causa da minha indiferença à paisagem, o viaduto surgiu sem pedir licença e sujou ainda mais a paisagem já tão maltratada de Artur Alvim.

Logo a baixo, pois, para sair dos terrenos da estação, é necessário passar exatamente por baixo do viaduto, montes de lixo fora de um contêiner e as indefectíveis marcas pretas das fogueiras já feitas junto às pilastras. Mais um ponto para a degradação.
O viaduto esta lá. Não sei o que liga ao que, mas é feio, grosso, pavoroso monstro de concreto armado, esse material bastardo tão amado pelos engenheiros.

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3 Comentários

  1. Bastou um descuido de três semanas (minhas férias) para que um imenso monstrengo de concreto se erguesse do nada até o oitavo andar, lá na Bela Vista. Uma espécie de implosão ao contrário.

    Responder
    • Sérgio F. Mendes

       /  19/08/2009

      É estranho demais como as coisas se modificam tão rápido. Que sanha é essa?

      Responder
  2. José Américo de Melo

     /  21/08/2009

    Ouvi dizer que a aceleração verificada nos últimos anos é fruto da ação de ETs insidiosos, que assim antecipam a dominação planetária total de 2012. Mas acho que é mesmo a tal da especulação imobiliária.

    Responder

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