56. Vizinhança

Havia um homem que pintava. Vivia num cômodo sozinho. Saia para trabalhar de manhã e só voltava depois das sete da noite, mas a luz que vazava pelo postigo somente se exauria depois da uma da manhã. Os vizinhos, todos sempre encafifadíssimos com o vizinho que mal falava e estava sempre com um avental sujo de tinta. Começaram a ver o homem como uma ameaça e, certo dia, quando ele saiu para o trabalho, as vizinhas, acompanhadas de um competente chaveiro, entraram no cômodo. Qual não foi o susto quando perceberam que todas as superfícies internas do cômodo estavam pintadas; pintadas com a História da humanidade e todos os seus mistérios desvelados; da pintura exímia emanava um leve brilho. Percebendo a importância daquilo tudo, as vizinhas apressaram-se em arrumar gasolina e todo o cômodo ardeu; logo parecia um despojo bombardeado e a pintura perdeu-se em fuligem. O homem não voltou do trabalho naquele dia.

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