59. Doze exemplares

Da amiga Júlia, cousa de primeira. Vão lá.

58. Nepotismo

Meu bisavô foi coronel.
Meu avô foi prefeito.
Meu pai foi prefeito.
Eu sou uma besta.

57. Uma nota

Olá a todos.

Este blogue tem estado meio (totalmente) largado. Agora, com a conclusão dos meus afazeres, quero retomá-lo com ânimo e bons textos; que as Musas me ajudem.

E para aqueles que aqui caem e aqui vêm, deixo de presente um livro em PDF no qual juntei uns textos meus. Chamei-o de “Seixos”. Espero que seja do vosso agrado e, se puderem, emitam as suas opiniões. A intenção era imprimi-lo, mas a preguiça venceu-me.

Bom proveito.

56. Vizinhança

Havia um homem que pintava. Vivia num cômodo sozinho. Saia para trabalhar de manhã e só voltava depois das sete da noite, mas a luz que vazava pelo postigo somente se exauria depois da uma da manhã. Os vizinhos, todos sempre encafifadíssimos com o vizinho que mal falava e estava sempre com um avental sujo de tinta. Começaram a ver o homem como uma ameaça e, certo dia, quando ele saiu para o trabalho, as vizinhas, acompanhadas de um competente chaveiro, entraram no cômodo. Qual não foi o susto quando perceberam que todas as superfícies internas do cômodo estavam pintadas; pintadas com a História da humanidade e todos os seus mistérios desvelados; da pintura exímia emanava um leve brilho. Percebendo a importância daquilo tudo, as vizinhas apressaram-se em arrumar gasolina e todo o cômodo ardeu; logo parecia um despojo bombardeado e a pintura perdeu-se em fuligem. O homem não voltou do trabalho naquele dia.

55. Ônibus

O dia está tão bonito,
o sol brilha alto e o céu vai tão azul.
E eu vou aqui, fodido,
socado no ônibus lotado.

Tem nego que não lava o sovaco,
mancha branca e cheiro de cebola
podre.

Tem nego que não lava a alma,
mancha etérea e cheiro de falcatrua
velha.

Uma mulher gritou:
“vagabundo, tá me encoxando”;
“que isso, dona, só tava passando”.
só tava passando.
No ônibus cheio,
o tapa foi ecoando.
E deu pau
e os dois desceram.

Perdeu o ponto?
O ponto de ônibus?
O relógio de ponto?
O ponto cruz?
O ponto de macumba?
Vai ganhar
uns pontos na cara.

Lá vem a gorda, meu deus,
lá vem a gorda.
Cheia de sacola,
de mochila
e com três ranhentos a reboque.
“Com licença, seu moço”,
“vai descer”, “vai descer”.

Pode sair do banco,
chegou a prenhe,
chegou o velho
e chegou o aleijado.
Todo mundo tem direito,
e você, que é normal,
vira cidadão de segunda classe,
vai se foder, vai se danar.

O mulher do meu lado me olha,
tem um olho esquisito,
tem um olho de cavalo,
um olho redondo,
de uma cor só,
tem um olho de boi.
Se comporta como boi,
o ônibus brecou, e ela foi.
Parecia um cavalo,
parecia um boi,
em duas patas.

Na hora de descer,
que caos,
um fulano na porta,
atravanca o caminho,
filho da puta, pessoa daninha,
camisa aberta, peito peludo.
Por causa do corno,
desci no outro ponto.
Bati a cabeça,
no balaústre.
Levaram a minha carteira,
e o cobrador,
safado, não deu meu troco!

Recordai do Nove de julho de 1932

sao-paulo0026

Ser Paulista
Letra: Carmem Lia; Música: João Gomes de Araújo Júnior

Ser Paulista é ser grande no passado!
E ainda maior nas glórias do presente!
É ser a imagem do Brasil sonhado,
E, ao mesmo tempo, do Brasil nascente!

Ser Paulista! É morrer sacrificado
Por nossa terra e pela nossa gente!
É ter dó da fraqueza do soldado
Tendo horror à filáucia do tenente!

Ser Paulista! É rezar pelo evangelho
De Rui Barbosa, o Sacrossanto Velho
Civilista imortal da nossa fé!

Ser Paulista! – Em brasão e em pergaminho
É ser traído e pelejar sozinho
É ser vencido, mas cair de pé!