Cartas litorâneas (IV)

Poucas das minhas cartas tiveram resposta, das mais de cento e dez mil que mandei, pouco mais de trezentas foram respondidas, mas nem sempre de modo adequado. Algumas empresas mandaram-me catálogos de seus produtos, sem sequer fazer menção à carta enviada; mesmo sendo resposta inadequada, mantenho todas elas devidamente catalogadas. Poucas vezes aconteceu-me de enviar cartas para endereços repetidos. Talvez tenha acontecido pouco mais de cem ou duzentas vezes, porque escolho endereços de todas as partes do mundo, com preferência para os países de língua portuguesa. Eventualmente minhas mãos decidem-se por escrever alguma carta em francês ou italiano, até mesmo em mirandês (o soube por causa da resposta que obtive), mas eu, funcionário público nunca pensei em aprender essas línguas. Tenho respostas das mais variadas e somente duas correspondências habituais que de todas as cartas provêm. Uma é com um encarregado de compras de uma firma de brindes. Conversamos sobre os mais variados assuntos, sempre pendendo para o fantástico. Mando-lhe um continho e ele remete-me outro, em respostas. Poder-se-ia dizer que se trata de uma imensa história, visto que trocamos já mais de sessenta cartas. Num papel solto dentro da última carta, ele disse que prende vir me visitar um dia desses.

Veja: I, II e III.

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