Cartas litorâneas (X)

A tentativa de esconder o maldito molho de chaves largado por alguém que muito se parecia comigo não deu certo. Mal eu cerrava os olhos e meus sonhos reproduziam a fatídica noite, passo a passo, mas com a angustiante sensação de que já sabemos o que irá suceder. O molho de chaves está lá, afundado na ferrugem do arquivo – porque a maresia não gosta do aço – enferrujando junto, ao contrário do molho que trago comigo. Mas parece que, cada vez que me distraio, escuto um tilintar de chaves vindo do arquivo. É claro que é coisa da minha cabeça, mas as alucinações auditivas são estranhas porque parecem mais reais que as visuais, e porque as visuais podem ser verificadas enquanto as sonoras esfumam-se e não voltam, deixando a impressão real na perpeceção. Quando me distraio, olhando o mar, ou já de água até a cintura, como num único golpe, pela superfície da água, escuto o tilintar. Aquele tilintar. Todo barulho de natureza metálica me remetia ao molho que chaves que se desfazia carcomido pela umidade e pela maresia. Até que um dia, estando meu filho mais velho em casa, preocupado comigo, disse que eu estava estranho, com um olhar preocupado e perguntou-me o que me afligia na minha tranquila vida de aposentado. Riu. Disse-lhe que nada, mas no mesmo momento, como se trespassado por um sabre, senti uma dor imensa no peito e no braço esquerdo. Era um infarto. Quando meu filho percebeu que a força da dor, como o punho tirânico de um huno, pôs-me de joelhos, colocou-me dentro do carro e levou-me para a Santa Casa de Santos.

Veja também: I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX.

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Cartas litorâneas (IX)

Depois de uma noite má dormida, na frente do bule de café fervido, cheguei à conclusão óbvia de que o ocorrido de ontem tratou-se de um sonho. Exatamente: um sonho, ou pesadelo, gerado por uma mente cansada. Pego o regador largado num canto da sala e vou regar as plantas do jardim. Estou já regando as plantas um tempo quando vejo um brlho, um reflexo no meio de um vaso de samambaias. É um molho de chaves. É o meu molho de chaves. Enfio a mão no bolso e o meu molho de chaves está no bolso da minha calça. Tenho dois molhos de chaves nas minhas mãos, idênticos: as três chaves das portas, mas duas de cadeados, as dos arquivos, que são seis pequenas, o chaveiro de metal imitando a silhueta dum coqueiro, o cortador de unhas. Levei-os para dentro e comparei item a item; até mesmo a sequência que foram enfiadas as chaves no aro do chaveiro era a mesma. Dois molhos idênticos; como se aquelas eram as suas chaves. Então a aparição não fora um sonho. Mas como podia? Aquilo deve ter sido uma aluncinação. Alguém tentou entrar em casa e num instante, por causa da luz forte e confusa, vi meu rosto na cara de um vulgar ladrão, arrombador de portas. Mas e as chaves? Como esse molho pode ser idêntico ao meu, sem tirar nem pôr? Sobre essas coisas não se fala e, se estão longe das vistas, deixam de existir. Por isso, tranquei o molho no grande arquivo, o maior móvel.

Veja também: I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII.

A Coreia do Norte é aqui

I
Muita gente costuma jogar lama em países menores, mais pobres ou de ideologia diversa da dominante. Lógico, é fácil jogar lama nos menores. Cuba que o diga. Dois fatos: o primeiro, durante o jantar me família de hoje, enumeramos os vários países insulares da Mesoamérica. Lembramos do Haiti, da República Dominicana, de Cuba e de alguns outros melhores. Desses três (incialmente, claro), Cuba parece o que está em melhor situação. O regime capitalista garantiu um mínimo de civilidade ao Haiti e à República Dominicana? É claro que Cuba pode não ser um exemplo de pujança econômica e democracia, mas ali, no seu pedacinho, não é o diabo mais feio.

II
Começou a greve no meu trabalho. O único lugar onde a greve pode ser levada a cabo sem medo de represália é no âmbito estatal. Os bancários que o digam, pois, se não são os funcionários do Banco do Brasil, da Nossa Caixa e da Caixa Econômica Federal, ninguém tem reajuste.
Assembleia e demais atividades findas, pego o ônibus inabitual que me larga no Terminal de ônibus da Lapa, que eu não conhecia. É fácil, a estação de trem é exatamente junto ao terminal. Justamente essa estação é o mote central desse texto: os absurdos aos quais nos acostumamos e os que apontamos nos outros unicamente por não serem os absurdos habituais.
Segundo as informações desse completo sítio sobre estações ferroviárias, a tal estação Lapa, hoje pertencente à linha 8 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e, anteriormente à Estrada de Ferro Sorocabana e, após 1971, às Ferrovias Paulistas S/A. Apesar de a linha ser já cinquentona, a estação atual data do final dos anos 70.
Muito bem, o que tem de tão especial tal estação? Eu costumava passar ali, antes de mudar o meu trajeto, mas, quem passa dentro do trem nãi vê determinados detalhes que somente quem está na plataforma, aguardando o embarque, consegue ver.
Esperando o trem, detive-me nos detalhes e reparei o quão era curiosa a estrutura metálica que segura as telhas que cobrem a plataforma. Esguias e taludas, um perfil i. Aproximo-me e reparo que são, na verdade, trilhos. Trilhos de trem.
Sim, os trilhos são resistentes, mas, são trilhos: material reutilizado. Por que? Uma estrutura feita de trilhos, provavelmente pela Fepasa. Os defensores da causa ecológica logo saltarão de suas trincheiras e dirão: olha, que exemplo bonito! A minha pergunta é simples: se a estação fosse na Paulista, na Berrini ou em qualquer outro lugar badalado à epoca da construção, a estrutura teria sido feita de trilhos encostados? É porque se trata de um menosprezo imenso do poder público com que o estabelece.
O mesmo exemplo eu tomo das estações de metrô da zona Leste. A parte leste da linha vermelha-3, em vez de ter sido feita subterraneamente não: para economizar dinheiro (que foi parar no bolso de alguém) a linha foi feita de superfície, exposta às intempéries, o que causa os costumeiros atrasos nos dias de chuva e a superlotação. Além da própria constituição dos edifícios: verdadeiros barracões de zinco, feitos com treliça. Pergunto aos então mandatários (Orestes Quércia, em particular): se tais estações fossem as da linha 2-verde, sob a Paulista, teriam sido feitas assim. Claro que não, pois ali, sob a avenida, as plataformas são revestidas de granito polido!
Lembro-me ainda da estrutura da finada estação Engenheiro Gualberto, a passarela medonha sobre a Radial Leste e a escada pavorosa que a ela dava acesso. Tudo feito de trilhos e chapas de ferro mal soldadas; na escada, via-se o chão por entre os vão dos degraus de madeira. Aquele chiqueiro funcionou até 2000.
Eis ao que nós estamos expostos. Como diz sabiamente meu pai: “Para o pobre, é tudo merda”, e ele, neste caso, está cobreto de razão.
Bem vindo à Coreia do Norte.

Cartas litorâneas (VIII)

A visita do advogado deixou-me intrigado, não pela visita, mas pela carta que, há dias, relutava em desdobrar. Entreguei-me à meditação e aos passeios a beira-mar. Pelos meses que se seguiram, continuei a corresponder-me com o advogado, sempre cortês e sempre dum lirismo fantástico nas suas cartas-soneto e cartas-novela; mas ele não perguntou se eu havia lido a carta que ele mesmo aqui datilografa e me deixara nas mãos, como um pássaro assustado. A vida foi boa até aí, fui levando uma vida como havia feito até então. Mas eis que, um certo sábado, quando apaguei as luzes da sala para ir dormir, escutei um rumor de pés sobre a grama. Havia alguém no quintal; não tenho armas, nem nunca as tive e armei da barra de ferro que serve para abaixar os toldos das janelas: ferro fino, mas, sem bem dado, morte certa. Com somente o lume do abajur do quarto aceso, que dava uma mal-percebida luz fosca, vi que o vulto aproximou-se da porta de vidro da entrada e, com surpresa noto, com um molho de chaves. Tiro a lanterna que pusera no bolso do roupão e miro o facho no rosto do vulto. É o meu rosto! O vulto, surpreso, põe-se a correr. Tento abrir a porta para segui-lo, saber que raio é aquilo, mas as minhas mãos não conseguem tatear as chaves na gaveta, agora que a lanterna caiu e seu facho inunda uma risca de chão. Corro à janela da frente e vejo que o vulto já alcançou a rua. Acho as chaves, saio e somente um vento quente bate nas folhas das árvores. Nada do vulto. Fiquei por quase uma hora olhando para fora, com as luzes da casa apagadas. Depois de um tempo, a cansaço sugeriu-me que eu havia imaginado. Coisas de quem mora sozinho.

Veja também: I, II, III, IV, V, VI e VII.

Cartas litorâneas (VII)

Parei de escrever. Somente o faço a meu único correspondente, o advogado. O outro, não; escrevi que soubera do livro e ele ainda teve a audácia de responder-me. Porém, sua carta não juntou-se às tantas suas no arquivo, mas foi entregue à preguiçosa chama da vela, esturrou-se. Pela primeira vez, não respondei a uma carta a mim enviada. Não houve outra daquele encarregado, ou sabe lá o que realmente ele seria. Uns dias depois da queima da carta, um dia abafado e quente terminou num dilúvio. Eu admirava os coriscos no céu quando vi um carro parar diante do meu portão; imaginei que fosse algum turista a pedir abrigo, mas não pareceu. O homem desceu de impermeável cinza e olhou para mim do portão; veio até a porta e eu a abri. Tirou o chapéu e cumprimentou, recitou o meu nome e sobrenome, se aquele que atendia por tal nome ali morava. Desconfiado, disse que sim. Eu não recebia visitas, ainda mais de gente estranha que sabia o meu nome de cor; não me passou pela cabeça que poderia ser algum dos meus destinatários. Ele identificou-se: era o advogado. Quase não me contive de emoção: pedi para que ele se sentasse que eu faria um café. Era um homem parecido comigo mesmo, mas que se vestia à antiga, tínhamos quase a mesma idade: somente três meses de diferença, como soubemos pela conversa. Conversamos bastante e a tarde já caía em noite quando seu rosto ficou grave e ele anunciou a real intenção da sua visita: estava com um tumor no cérebro e não lhe restava muito tempo de vida; ele tinha de descer e conhecer o homem com quem trocou tantas cartas esses anos todos. Fiquei triste e os olhos do advogado encheram-se de água. Textos tão líricos eram os seus. Pedi que se levantasse e me acompanhasse até o fundo da casa. Lá estavam os vários arquivos que continham todas as cartas enviadas; abrei uma das gavetas e deixei que ele mexesse. Puxou uma, duas, uma terceira e parecia não acreditar no que via. Perguntou se fora eu quem escrevera todas e eu assenti com a cabeça. Sentou-se na cadeira olhando-me e percebeu que tinha diante de si a máquina de escrever. Puxou uma folha da bandeja, enfiou-a na máquina e começou a escrever. Bateu uma carta longa. Retirou-a da máquina, dobrou-a em três deu-a na minha mão e despedimo-nos. Pegou seu carro, e saiu de ré pela rua.

Veja também: I, II, III, IV, V e VI.

Cartas litorâneas (VI)

Além da escrita das cartas, a outras coisas dediquei-me. À leitura principalmente. Li de tudo: grandes clássicos e livros de que ninguém nunca ouviu falar. A minha biblioteca não tem muitos livros, mas meus meninos sempre mos trazem emprestados. Certo dia, o meu mais novo trouxe um livro que me intrigou bastante. Tinha a capa amarela, um amarelo sólido. O título, em solitárias letras vermelhas: “Correspondência”. Separei-o para por ele começar a leitura. O menino saiu, dei-lhe as costumeiras advertências para que tomasse cuidado com o nevoeiro da serra e com a estrada. Fui preparar a janta e o livro, com suas cores magnéticas, puxou-me os olhos; abri-o e comecei a ler. Todos os textos em formatos de carta e, qual não foi a minha surpresa quando comecei a reconhecer trechos das minhas cartas naquelas cartas. Ainda não poderia afirmar que eram as minhas cartas, mas havia trechos que eram recorrentes, inclusive o estilo de escrita. Eram, sim, eu tinha quase certeza que eram as minhas cartas. Mas quem as poderia ter caçado através dos vários remetentes para reuni-las num único volume e com o seu nome, não o meu? E  aliás, não as escrevi para que fossem publicadas. Corri ao arquivo e procurei as cartas enviadas aos meus dois correspondentes – as únicas separadas por remetente – cheguei a conclusão de que havia sido o encarregado que surrupiara e adaptara as minhas cartas. Fiquei decepcionadíssimo com aquela traição de anos, que fora anos a fio enganado, enquanto minhas cartas iam sendo compiladas e alteradas, ao bel prazer do meu correspondente maníaco que, provavelmente, no escuro da sua alcova imunda, as recortava, colava as palavras e trechos como lhe parecessem mais conveniente e colava. Um estupro, uma violência, um defloramento!

Veja também: I, II, III, IV e V.

Cartas litorâneas (V)

Desde a morte de Olívia, minha vida não tem sido nada mais do que dedicar-me às cartas. Quase chego atrasado ao seu enterro porque antes passei na agência dos correios e havia uma filinha. Devo confessar que fiquei triste de dar a minha companheira de trinta e cinco anos à areia salgada do cemitério quase à beira-mar. Os meninos vêm me ver de quinze em quinze dias. Nunca me deixam sem papel, carbono ou folhas de sulfite, nem que as mandem pelo correio. Nos últimos tempos, pus uma mesa de ferro no quintal de casa e, sombreado pelas frondosas árvores do terreno, ponho-me a escrever; porém, já não escrevo com a mesma força: das dez cartas diárias, média mantida por trinta anos, agora, fico no máximo nas três ou quatro por semana e preferencialmente aos meus dois correspondentes: o encarregado de compras e o advogado. O encarregado, que prometera visitar-me nunca apareceu, mas continua mantendo a correspondência, se bem que mais espaçada. Mais assíduo é o advogado que, no rodapé das cartas, sempre manda alguma notícia pessoal, sobre seus filhos e sua escosa e eu, somente a ele, mando-lhe notícias dos meus meninos e recordo-lhe de como era carinhosa a minha Olívia. Esse nunca prometeu visitar-me.

Veja: I, II, III e IV.

Últimas tiras do Cortizona

#005, #006 e #007.

Cartas litorâneas (IV)

Poucas das minhas cartas tiveram resposta, das mais de cento e dez mil que mandei, pouco mais de trezentas foram respondidas, mas nem sempre de modo adequado. Algumas empresas mandaram-me catálogos de seus produtos, sem sequer fazer menção à carta enviada; mesmo sendo resposta inadequada, mantenho todas elas devidamente catalogadas. Poucas vezes aconteceu-me de enviar cartas para endereços repetidos. Talvez tenha acontecido pouco mais de cem ou duzentas vezes, porque escolho endereços de todas as partes do mundo, com preferência para os países de língua portuguesa. Eventualmente minhas mãos decidem-se por escrever alguma carta em francês ou italiano, até mesmo em mirandês (o soube por causa da resposta que obtive), mas eu, funcionário público nunca pensei em aprender essas línguas. Tenho respostas das mais variadas e somente duas correspondências habituais que de todas as cartas provêm. Uma é com um encarregado de compras de uma firma de brindes. Conversamos sobre os mais variados assuntos, sempre pendendo para o fantástico. Mando-lhe um continho e ele remete-me outro, em respostas. Poder-se-ia dizer que se trata de uma imensa história, visto que trocamos já mais de sessenta cartas. Num papel solto dentro da última carta, ele disse que prende vir me visitar um dia desses.

Veja: I, II e III.

Tira nova

Para ver a nova tira do Cortizona, siga as letras azuis.

Cartas litorâneas (III)

Dez cartas. E faço isso há mais de trinta anos. Aliás, hoje faz exatamente trinta anos que eu escrevo dez cartas por dia. Ao término da manhã de hoje, na última carta, coloquei seu número de registro: 109.570. Dez cartas, mas que não me tomam muito tempo; as mais longas não têm mais de dez linhas. Tomo café e levo a xícara para a mesa; sento-me, arrumo a máquina, alinho o papel e os meus dedos começam a socar o teclado, sozinhos. Não sou eu que redijo as cartas. Tampouco alguma força do além, pois não acredito nesse besteirol. Não conto nada disso a Olívia, pois dirá que sou louco e certamente deixar-me-á e irá morar com os nossos meninos. Ela sempre pergunta o porquê. Digo-lhe que são romances, crônicas, poesias. Mantenho os meus arquivos fechados a chave. Por que isso fica fechado a chave, pergunta Olívia. Digo que é por causa da naftalina que ponho para que as baratas não façam do móvel metálico reino magno império. Em tese, não deixa de ser verdade; começo: Peruíbe, 19 de março de 1999. Uma, duas, três linhas, tabulação três e meio. A/C De Laurentiis Perfis Metálicos S/C. Linha, parágrafo. Caros Senhores. Linha, uma duas, três, parágrafo. É com incomensurável prazer que vos redijo as linhas que abaixo brotam dos meus míseros dedos e que espero contar com a vossa humilde batida d’olhos. Parágrafo, linhas, uma, duas; abre aspas. Certa vez, quando eu ia à cidade nova, dois anjos começaram a seguir o carro, mas não eram exatamente anjos. Usavam terno e óculos de aros redondos e chapéu. Fizeram-me parar o carro. Desci do automóvel e um deles, esticando-me um libelo disse, dois pontos, abre aspas. Toma e lê. Ponto. Fecha aspas. Lembrei-me de Santo Agostinho. Será uma revelação? Mas não consigo lembrar-me de que livro se tratava. Fecha aspas. Parágrafo, duas linhas. Cordiais saudações na espera de pronta resposta, subscrevo-me…

Veja: I, II.

I have no words

Primeiro, eu fiquei atônito; depois, caí na risada.

Marcha del Taximetrista

Essa marcha não fica nada devendo ao “Cincinalul în patru ani şi jumătate“: a “Marcha de los Taximetristas” (“Marcha dos Taxistas”) feita na Argentina peronista:

Marcha del Taximetrista

Letra e msnica de Rodolfo Sciammarella

Es nuestra vida engranaje de un destino
y nuestro corazón es el motor
son nuestros ojos los faros del camino
y nuestro freno la fuerza del valor.

Los taximetristas
para el pueblo entero
somos mensajeros
de felicidad.

Los taximetristas
con perseverancia
unen las distancias
de nuestra ciudad.

Los taximetristas
para el pueblo entero
somos mensajeros
de felicidad.

Los taximetristas
somos peronistas
y justicialistas
de verdad…

Con el volante siempre firme en nuestras manos
sabemos desafiar con gran tesón
los rigores del invierno o del verano
día y noche, frío… viento… lluvia y sol.

Áudio.

Através de: http://discosbizarrosargentinos.blogspot.com/

De casa nueva

Las tiras mandámolas para esta nueva dirección web: Cortizona de Ferro. Aquí prosiguen las consuetas gilipollices. Que sea del vuestro agrado.

Cortizona de Ferro #3: Lições de sucessão

Fidel chama ajuda para explicar o conceito de comunismo ao irmão e sucessor Raúl. Clique na imagem para ampliar.

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