İzmir’in dağlarında çiçekler açar…

A marcha que homenageia o grande Mustafá Kemal Atatürk; pena que a percussão se sobreponha às vozes.

Pela Orquestra Sinfônica da República, numa versão apoteótica:

E numa versão mais tradicional:

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Tempos de ‘Civilization’

Sid Meier, se te pego, te quebro! Dias jogados fora. Sabe o que são dias inteiros praticamente jogados ao nada? Então, é assim que a gente fica quando joga Civilization. É que a droga do jogo é bom, hem. Talvez seja trauma não resolvido, de quem não teve videogame na época certa. Gosto dos joguitos para computador. Os bons propósitos foram para o ralo. As férias, findaram-se. Agora é volta ao trabalho e duas horas de ônibus. É tanto tempo que dá para alternar leitura, audição musical e roncadela. Não escrevi porra nenhuma, não fiz quase nada da montanha do que havia programado e agora, a vida zumbi volta. Se bem que a carga horária da faculdade diminuiu sensivelmente (metade do que foi no semestre passado) e os estágios são de vinte horas. Li algo. Li Bukowski. Não gostam dele, geralmente. Ninguém fala dele. Gostei. É porco, é gosmento, é um pouco real. Leio também uma biografia do Atatürk. É incrível que alguém tão eminente como Atatürk não tenha quase nada sobre si publicado em português; a biografia que leio, minha namorada comprou-a via internet num sebo de Porto Alegre: edição argentina, autor argentino, em castelhano. Talvez seja lobby dos armênios, por que não?

Mehterân & Caz Orkestrası

O Rondó alla turca de Wolfgang Amadeus Mozart tocado pelo Mehter takımı de Istambul e pela Orquestra Jazz da TRT, do Concerto do dia da República.

Mustafá Kemal Atatürk diz…

Atatürk

A mãe e a irmã de Kemal viviam em Istambul desde que se viram obrigadas a emigrar de Tessalônica. Ele, quando regressou de Alepo, não foi viver com elas; espírito muito independente, preferia ter sua liberdade intacta. Desde que saiu da infância sempre escolheu viver só; nunca pôde, nem com sua família, nem com seus amigos, compartilhar o mesmo teto de bom grado; foi um costume que nunca abandonou. “Tenho outra particulatidade – também confessou -: é a de não poder suportar minha mãe, irmã ou parentes próximos de que me aconselhem isto o aquilo, de acordo com sua mentalidade ou ponto de vista. Os que vivem em família sabem que é impossível abstrair-se às observações, desinteressadas, desde o começo, e sinceras, que vêm de todos os lados. Encontra-se então diante de um dilema: obedecer, ou não fazer caso algum de todas essas advertência ou conselhos. No meu entender, ambas as soluções são ruins. Obedecer? Aceitar as observações de minha mãe, mais velha que eu em vinte ou vinte e cinco anos, não é o mesmo que voltar ao passado? Desobedecer equivale a ferir o coração de uma mãe, que personifica, a meus olhos, a virtude, a siceridade e todas as qualidades de uma grande dama. Também não seria justo.”

BLANCO VILLALTA, Kemal Ataturk, Ediciones Agon: Buenos Aires, 1993. pp. 120-121.

Meme

Ótimo. Nunca me havia enveredado pela história do meme, que já vi alhures e algures; se enviaram-me algum, ignorei-o, com o perdão do esquecimento. Agora, eis que surge um, do qual trataremos: foi-me mandado por um amigo que está a dever-me uns minutos de prosa, o Orlando.

No que consiste o tal meme? Devo pegar o livro que estiver mais perto de mim, abri-lo na página 161 e pegar a quinta frase completa e aqui colocá-la. Ah, claro, e repassar o procedimento a mais cinco pessoas. Não sei como será, pois temos três leitores e meio, mas, veremos.

O primeiro livro que peguei (Kemal Ataturk, de Blanco Villalta) tinha sua página 161 com somente o título do capítulo, o que o excluiu como opção, infelizmente. O segundo, compra recente em Ubatuba, do qual certamente irei falar em breve (Amerríqua – As origens da América, de Domingos Magarinos), não tinha página 161. Somente na terceira opção foi possível encontrar uma página 161 com cinco frases consecutivas inteiras, e trata-se do Estado, Ditadura do Proletariado e Poder Soviético, de V. I. Lênin, cuja quinta frase/período/oração transcrevo-a aqui:

“Teríamos feito isto sem a ajuda das sociedades cooperativas burguesas, sem concessões a esse princípio puramente burguês que impulsiona as sociedades cooperativas operárias a continuar sendo sociedades operárias junto às cooperativas burguesas, ao invés de fazer com que estas lhes sejam totalmente subordinadas, com a fusão de ambas, chamando a si toda a direção e tomando em suas próprias mãos a supervisão do consumo dos ricos.”

Isso posto, repassamos o meme às cinco pessoas pseudoaleatoriamente indicadas: Júlia, Amanda, Érico, G. e Camila.

Lei de Línguas

Aragão é um território onde, além do castelhano, convivem historicamente o atagonês e o catalão como línguas próprias. Para proteger e assegurar a sobrevivência dessas línguas em todas as suas variedades dialetais com as suas comunidades linguísticas é necessária a criação, aprovação e aplicação urgente de uma Lei de Línguas adequada às necessidades básicas de cada língua e território.

Esta medida legislativa, demandada por um grade número de órgãos, instituições e documentos oficiais envolvidos e relacionados com a proteção do patrimônio linguístico aragonês e universal. Assim, a Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias, por meio dos Informes do Comitê de Ministros do Conselho da Europa, insta à “adoção de um marco jurídico específico para a proteção e promoção do plurilinguismo em Aragão” (parágrafos 115-118). Ademais, o Estado Espanhol faz menção, na dita carta, a um reconhecimento estatutário que ainda não existe: “O Estado Espanhol declara que, para os efeitos previstos nos citados artigos, entendem-se por línguas regionais ou minoritárias, as línguas reconhecidas nos Estatutos de Autonomia e/ou na legislação que os desenvolva, das Comunidades Autônomas de Aragão, Astúrias, Catalunha, País Basco, Galiza, Ilhas Baleares, Navarra e Valência” (Arts. 2.2 e 3.1). O Comitê de Ministros do Conselho da Europa também pede às autoridades espanholas que “reforcem a proteção do aragonês (fabla) e do catalão em Aragão, incluso o estabelecimento de um marco jurídico apropriado.” (ponto 6). Na mesma linha, o Estatuto de Autonomia de Aragão estabelece que “As línguas e modalidades linguísticas próprias de Aragão gozarão de proteção. Garantir-se-á seu ensino e o direito dos falantes na forma que estabeleça uma lei das Cortes de Aragão para as zonas de uso prodominante de tais línguas.” (Art. 7); assim como a Lei do Patrimônio Cultural Aragonês sanciona que “Uma lei de línguas de Aragão proporcionará o marco jurídico específico para regular a co-oficialidade do aragonês e do catalão, línguas minoritárias de Aragão, assim como a efetividade dos direitos das respectivas comunidades linguísticas, tanto no que se refere ao ensino de e na língua própria, como à plena normalização do uso dessas duas línguas em seus respectivos territórios.” (Disposição final segunda). Também o anteprojeto da Lei de Educação de Aragão remete-se à Lei de Línguas ao falar da educação: “Desenvolver-se-á, da forma que indique a Lei de llínguas próprias de Aragão” (Cap. 3; Art. 37.2).

Caso não houvesse ficado patente a necessidade e obrigação de promulgar uma Lei de Línguas que torne legais o aragonês e o catalão, há também disposições de âmbito mais geral que obrigam, igualmente, a proteção da diversidade linguística de Aragão por parte do Governo e das autoridades competentes. Desta forma, a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, criada pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, exorta aos Estados e as instituições internacionais a continuar avançando em todas as políticas favoráveis ao respeito, à promoção e ao uso social de todas as línguas, em todos os âmbitos que afetam a vida individual e coletiva das pessoas e deve-se recordar que, segundo essa declaração, em Aragão viola-se um direito fundamental: “Toda comunidade linguística tem direito que sua língua seja utilizada como oficial dentro de seu território” (título segundo, seção I, art. 15.1). Por tudo isso, urge que as autoridades aragonesas atuem decididamente, cumprindo sua incumbência, de forma que seja criada e devidamente aprovada uma Lei de Línguas como marco legal imprescindível, e que se aplique uma política linguística para a proteção e difusão das línguas próprias. Essa lei, acima de qualquer ideologia, pacto, unidade ou símbolo político, deve desenvolver e proteger todos e cada um dos direitos estabelecidos pelas Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, assim como responder às petições e sanções que, da União Europeia, do Estado Espanhol, do Estatuto de Autonomia de Aragão e demais disposições e instituições que se põe a favor do patrimônio linguístico aragonês.

Para assinar: http://www.leydelenguas.com

(traduzido do próprio sítio)

“8. Como andar na rua”

8.

Como andar na rua

Bentinho é um menino obediente.

Quando vae para a escola só anda pela calçada, porque a mamãe muitas vezes já lhe disse:

– Olhe, meu filho, a rua é o logar dos bondes, dos automoveis e das carroças. A calçada foi feira para os pedestres e, assim como os autos e carroças não podem rodar pelas calçadas, a gente não deve andar pelo meio da rua.

Quando é preciso mudar de calçada, Bentinho pára e nunca tem pressa. Olha cuidadosamente para os dois lados e, se não vier nenhum vehiculo, atravessa a rua, sem pressa mas sempre cauteloso.

Elle já assistiu a desastres de meninos imprudentes, apanhados por bondes e automoveis, por não terem cuidado.

Como ficarão tristes os paes e os irmãos de um menino que, tenho sahido de casa contente e feliz para seus affazeres, volte em um carro da Assistencia Publica! E se quebrar um braço ou uma perna, não é doloroso ficar aleijado a vida toda?

Á hora da sahida do grupo escolar, como ha muitas crianças, fica um guarda civil perto do portão do estabelecimento.

Quando esse guarda põe o seu bastão em direcção da calçada da frente, Bentinho sabe que póde atravessar a rua sem perigo, porque os bondes e os autos ficam parados. Elle e as outras crianças atravessam a rua confiantes.

Para subir e descer do bonde, Bentinho e Marieta sempre esperam que elle pare completamente.

Se por acaso o motorneiro não obedece ao signal de parada, paciencia!, elles esperam outra opportunidade.

Por ter confiança nos seus modos, a mamãe fioca tranquilla quando elles vão á escola e os espera com socego, á tarde.

Bentinho e Marieta nunca teriam coragem de desobedecer a seus paes. Porisso, Bentinho não gosta da companhia de meninos que chocam os bondes, andam de correrias pela rua ou brigam como moleques.

Os dois irmãos tratam bem todos os collegas, mas só escolhem para companheiros aquelles que procedem direitinho na rua e que obedecem aos paes e professores.

“O pequeno escolar”, p. 30-32 – Companhia Editora Nacional: São Paulo, 1936