Acordo ortográfico (sem o calor do instante)

Não. Ao contrário do que muitos pensam, não me lançarei contra a reforma. É arbitrária? Sim, mas o que não é? E não se trata de conformismo puro e barato, desses que se ouve em qualquer esquina ou ponto de ônibus. Não. É o oposto. Penso que uma língua de cultura deve ter uma única grafia sim. Respeitados vocabulários, obviamente. No Multiply, responderam-me a um comentário de postagem da seguinte maneira: “o que adianta mudar as grafias se aqui continuaremos a dizer paletó e lá fato?”. Não sei o que quer dizer uma frase dessas. Achei-a excessivamente ingênua. Ou seja, mil e poucas palavras diferentes justificam duas grafias para uma única língua?

Muitos amam a ideia de que cá falamos uma língua e em Portugal outra. É claro que há variantes e variedades e não só a portuguesa e a brasileira, mas e principalmente a sul-brasileira, a paulista, a minhota, o estremenho. As variantes de cá ou de lá justificam uma nova grafia para cada uma delas? São línguas diferentes justifiquem Ou a aversão ao Acordo baseia-se num conservadorismo ilógico e impedernido, ou ainda pior, em nacionalismos caducos, em “línguas nacionais”. A língua não é só nossa e nem só de Portugal.

Como estava antes também não justificava o Acordo: nós no famoso Formulário Ortográfico de 1943 e eles-e-colónias no Acordo Ortográfico de 1945. As diferenças não eram tão gritantes que impedissem as comunicações por escrito: trata-se de frescurites das editoras, possivelmente. Agora, espero que venham os livros portugueses para cá. Estou esperando; se tal acontecer, será a maior e mais grandiosa realização do Acordo.

Que o Acordo de agora seja para a língua de quatrocentos anos e que parem de fazer uma revisão a cada trinta anos.

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6 Comentários

  1. Mandy

     /  06/01/2009

    Não sabia que isso daria tanta polêmica! rsrsrs…

    Responder
  2. G

     /  06/01/2009

    Por cá nada se fala…

    Como sempre, espera-se que pelos outros!

    Abraço!

    Responder
  3. É, Mandy, polêmica é o que move o mundo.

    Mas nem a imprensa tocou no assunto, G?

    Responder
  4. G

     /  09/01/2009

    A imprensa? Nem por isso!

    Falou-se à uns tempos, mas depois desapareceu.

    Para a grande maioria dos portugueses, isso de Acordo ortográfico é para os outros países de língua portuguesa mudarem e “falarem” como nós, entendes?

    Teremos algumas alterações na escrita, mas pouco significativas…

    Acho que é mais ou menos isso que se passa.

    Abraço!

    Responder
  5. Aqui, G a imprensa deu um destaque pífio, mas deu-no sem sombra de dúvida. Inclusive, começaram já a pipocar os ‘guias da reforma’, badamecos para quem deles precisa.

    Responder
  6. eu ainda não tinha dado por essas hepáticas, sérgio

    bom saber que voltastes!

    bom texto sobre o assunto, o teu.
    raro isso, fica todo mundo falando de coisas ausentes no caso das línguas portuguesas.
    obrigada.

    beijo

    ps, ah, é uma língua linda!

    Responder

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