O banimento das sacolinhas plásticas teve seu marco inicial prático ontem (25/1): mercados da cidade deixaram de fornecê-las a seus consumidores. Elas são um problema ambiental; demoram cem anos para decompor-se. Alegra-me que nos deixarão.
Por outro lado, o que é insuportável é o oportunismo de certos setores comerciais e industriais. Passou-se toda a culpa para o consumidor, como se mais ninguém tivesse nada a ver com o assunto. Em nome de uma bela causa, o meio ambiente, faz-se “caridade com chapéu alheio”: também o custo foi todo transferido ao consumidor. Assim lhes é fácil e indolor.
O esquema de substituição proposto é, no mínimo, espúrio. Os supermercados fornecem ecobags (a um preço alto) e sacolinhas biodegradáveis (R$ 0,19 cada) e fica por isso mesmo. Como apurou reportagem desta Tribuna de 24/1, o uso doméstico das sacolinhas para, por exemplo, acomodação de lixo para coleta, terá de ser provido por sacos plásticos comprados. Entre sacolinhas e sacos de lixo, uma família de quatro pessoas pode ter um acréscimo de até R$ 50 no seu orçamento mensal. O consumo de plástico será o mesmo; apenas estará devidamente subsidiado.
O irritante é que indústria e comércio convenientemente se esqueceram que a introdução de tão “nefasta” embalagem deve-se a eles mesmos. Eles lançaram a novidade e nos acostumaram a ela. São as maravilhosas soluções que, com o passar do tempo, se mostram não tão boas assim, como a talidomida para as grávidas e pastilhas de cocaína para dor de dentes.
Creio que merecemos um mea culpa da indústria e do comércio. No mínimo.
* * *
Artigo publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 26/1/2012. Aqui.

